A National Crime Agency (NCA) britânica elevou os criptoativos ao terceiro lugar numa lista de nove prioridades de combate ao crime económico, uma classificação publicada em conjunto com a Financial Conduct Authority em julho de 2025 e validada pelo Home Office e pelo Tesouro. A medida reflete a preocupação crescente da agência, expressa na sua avaliação estratégica nacional, publicada em 2026, que descreve um "uso inovador de produtos cripto para evitar a deteção e movimentar valor ilícito em grande escala".
A NCA estima que centenas de milhares de milhões de libras em dinheiro criminoso passam anualmente pelas instituições financeiras britânicas, abrangendo aquilo que a agência designa por canais "novos e tradicionais". Desde abril de 2024, a Economic Crime and Corporate Transparency Act concede aos agentes da NCA poderes para apreender e congelar criptoativos sem necessidade de detenção prévia, convertendo os fundos em libras esterlinas.
Duas operações, números concretos
A agência apontou duas operações como prova da sua abordagem. A Operação Destabilise, tornada pública no final de 2024, visou redes de língua russa acusadas de trocar dinheiro do tráfico de droga por criptomoedas. Resultou em 128 detenções e mais de 25 milhões de libras apreendidos em dinheiro e criptoativos no Reino Unido. A NCA descreveu as redes envolvidas como "redes de branqueamento de elevado dano que representam o maior risco de finanças ilícitas para o Reino Unido".
A Operação Atlantic, noticiada em abril, reuniu a NCA, o Secret Service dos Estados Unidos e corretoras como Coinbase, Binance, Kraken e Tether para uma semana de trabalho conjunto na sede da NCA. A operação identificou mais de 20.000 vítimas de phishing de aprovação (approval phishing) e congelou 12 milhões de dólares. A Chainalysis estima que mais de mil milhões de dólares foram roubados através deste tipo de phishing desde 2021.
Uma linha cautelosa sobre ferramentas de privacidade
A avaliação estratégica cita também um relatório de fevereiro de 2026 do Royal United Services Institute, "Privacy-Enhancing Technologies in the Crypto Industry", que resultou de uma mesa-redonda organizada pelo Home Office e pelo National Economic Crime Centre em julho de 2025. O NECC afirmou querer "uma capacidade cripto mais proativa e orientada por informações, que sustente a nossa resposta a prioridades transversais".
Em vez de defender a proibição das tecnologias de reforço da privacidade, o relatório do RUSI advoga a construção de confiança através de funcionalidades de conformidade. Allison Owen, antiga investigadora associada do RUSI e autora do relatório, disse à Decrypt: "Construir confiança através da integração de funcionalidades de conformidade irá, no final, alargar a adoção desta tecnologia."
A posição do Reino Unido contrasta com a abordagem da União Europeia. Nas regras antibranqueamento adotadas em 2024, os prestadores de serviços de criptoativos no bloco ficarão proibidos de manter contas anónimas e de processar tokens de anonimato reforçado, como Monero e Zcash, a partir de julho de 2027. Nos Estados Unidos, o gabinete de sanções do Tesouro (OFAC) retirou o Tornado Cash da sua lista de sanções em março de 2025.
Um panorama regulatório em mudança
A nova prioridade da NCA soma-se a outras mudanças recentes na supervisão cripto britânica. A FCA reabriu o acesso de retalho a notas cotadas negociadas em bolsa (ETNs) apoiadas em criptoativos em outubro de 2025. O regime simplificado de registo antibranqueamento para prestadores de serviços cripto no Reino Unido está em vigor desde 2020, constituindo a base contra a qual as novas prioridades e os resultados operacionais da agência serão avaliados nos próximos anos.




