O Bitcoin luta para se manter acima dos 78 mil dólares nesta quinta-feira (10), anulando a recuperação da véspera numa nova ronda de pressão sobre o mercado cripto, que afeta com maior intensidade as memecoins e outras altcoins de menor dimensão.

Esta manhã, o Bitcoin cai 2,1%, cotado a 77.862 dólares em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava em cerca de 67.338 EUR, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 2%, para 2.467 dólares. Já o XRP cai 4,2%, enquanto a Solana recua 3,6% e a BNB perde 5,3%.

A queda não se limita ao Bitcoin. O movimento é mais acentuado nos ativos de maior risco dentro do mercado cripto. O índice de memecoins do CoinDesk recua cerca de 10% em 24 horas, enquanto o índice de criptomoedas de menor capitalização perde 5,1%. Já o CoinDesk 100, que acompanha um cesto mais amplo de ativos digitais, cai 3,7% no mesmo período.

O cenário tradicional não explica por si só o recuo. Os futuros do S&P 500 avançavam ligeiramente, os contratos do Nasdaq mantinham-se estáveis, o ouro subia pouco e o índice do dólar também não mostrava grandes alterações. O problema, uma vez mais, está no pano de fundo macroeconómico: petróleo alto, juros longos pressionados e incerteza sobre a próxima decisão da Reserva Federal (Fed) dos EUA.

O petróleo continua a ser um dos principais focos de preocupação. O Brent voltou a negociar acima dos 100 dólares por barril, enquanto o WTI superou os 97 dólares, num contexto de escalada das tensões no Médio Oriente. A subida da energia reforça o risco de uma inflação mais persistente e pressiona as expectativas para os juros nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, os rendimentos dos Treasuries continuam em níveis elevados mesmo depois de o Tesouro dos EUA ter anunciado um programa de recompra de 6 mil milhões de dólares em títulos de 10 a 20 anos. A medida ficou abaixo do que parte do mercado esperava e não impediu a subida dos juros longos: o rendimento do título a 10 anos voltou a aproximar-se dos 4,85%, enquanto o de 30 anos se aproximou dos 5,3%.

Este ambiente costuma pesar sobre o Bitcoin porque juros mais altos aumentam o retorno das obrigações do Tesouro e reduzem a disposição dos investidores para assumir risco em ativos sem rendimento próprio. A pressão nota-se também nos derivados: o sentimento nos futuros voltou a ficar negativo, com a relação entre compras e vendas agressivas a apontar para maior força dos vendedores. O interesse em aberto caiu cerca de 2%, para 139 mil milhões de dólares, enquanto o volume subiu, sinal de rotação e de saída moderada de capital.

O mercado acompanha agora dois dados de inflação nos EUA. O índice de preços ao produtor, o PPI, é divulgado esta quinta-feira, enquanto o índice de preços ao consumidor, o CPI, será conhecido na sexta-feira. Os números devem ajudar a calibrar as apostas para a reunião da Fed de 15 e 16 de setembro, que ganhou importância depois de dados económicos fortes e da subida do petróleo.

Segundo um levantamento da Reuters, a maioria dos economistas continua a esperar que a Fed mantenha os juros estáveis em setembro, mas aumentou o número de analistas que veem hipótese de pelo menos uma subida até ao final do ano. O mercado, por sua vez, tem atribuído uma probabilidade próxima dos 60% a uma subida de juros na próxima reunião.

ETF de Bitcoin regista segundo dia de saídas

A pressão vem também dos ETF de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Os fundos registaram uma saída líquida de cerca de 120 milhões de dólares na quarta-feira, no segundo dia consecutivo de resgates. O principal impacto veio do ARKB, da Ark Invest e 21Shares, que perdeu cerca de 78 milhões de dólares. O GBTC, da Grayscale, teve uma saída de 27 milhões de dólares, enquanto o IBIT, da BlackRock, perdeu 20 milhões de dólares.

Dados de acompanhamento dos ETF mostram também uma saída líquida de aproximadamente 100,7 milhões de dólares a 9 de setembro, com o ARKB como maior resgate do dia e o MSBT, da Morgan Stanley, como único fundo com entrada relevante, de cerca de 4,5 milhões de dólares.

O contraste é que outros produtos cripto tiveram melhor desempenho. Os ETF de Ether captaram quase 35 milhões de dólares depois de perdas na terça-feira, enquanto fundos ligados a XRP e Solana receberam cerca de 12 milhões de dólares cada. Ainda assim, o fluxo positivo noutros ativos não foi suficiente para compensar a saída dos fundos de Bitcoin.

O comportamento dos ETF será um dos principais termómetros dos próximos dias. Se os resgates continuarem, o Bitcoin poderá ter dificuldade em recuperar a faixa dos 80 mil dólares. Por outro lado, uma retoma das entradas, combinada com dados de inflação mais fracos, poderia aliviar a pressão dos juros e recolocar o BTC em direção à região dos 82 mil dólares.

Por agora, o Bitcoin mantém-se entre a defesa de preços perto dos 78 mil dólares e a resistência criada pelo ambiente macroeconómico. A queda mais forte em memecoins e ativos de menor capitalização mostra que o apetite pelo risco diminuiu, enquanto os investidores esperam sinais mais claros sobre a inflação, a Fed e o fluxo institucional antes de retomarem as compras com mais força.

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