A Tesla e a SpaceX, duas das principais empresas de Elon Musk, estão a estudar uma possível fusão que poderia juntar mais de 30 mil bitcoins sob o controlo de uma única empresa. A informação foi confirmada pelo próprio bilionário durante a apresentação de resultados da SpaceX, realizada na terça-feira (20).

Caso a operação se concretize, a nova empresa passaria a deter aproximadamente 30.221 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 2,5 mil milhões, considerando a cotação da criptomoeda próxima dos US$ 83 mil nesta quarta-feira (21).

Desse total, 18.712 BTC pertencem à SpaceX, enquanto outros 11.509 BTC estão nas reservas da Tesla, segundo dados da plataforma BitcoinTreasuries. Juntas, as duas empresas formariam uma das maiores reservas corporativas de Bitcoin do mundo.

Musk confirmou que as empresas criaram comités especiais, compostos por administradores independentes, para avaliar a possibilidade de união. Sublinhou, no entanto, que ainda não existe um acordo entre as partes e que qualquer operação dependerá do apoio dos acionistas.

"Acho que seria uma boa ideia? Sim. Mas, no final de contas, os acionistas têm de apoiar isso", afirmou o empresário durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre da SpaceX.

Como Musk tem participações relevantes nas duas empresas, não pode participar diretamente nas negociações conduzidas pelos comités independentes, devido ao potencial conflito de interesses.

Atualmente, o bilionário detém aproximadamente 36% da SpaceX, participação que chega a 48,4% quando consideradas ações restritas e opções ainda não exercidas. Na Tesla, a sua participação económica é de aproximadamente 19,8%, incluindo instrumentos de remuneração em ações, de acordo com documentos regulatórios citados pelo CoinDesk.

Apesar de defender a ideia, Musk reconheceu que ainda existem obstáculos à sua concretização.

"Os comités especiais ainda não chegaram a acordo sobre os termos de qualquer transação", declarou.

Fusão pode criar gigante avaliado em mais de US$ 3 biliões

Uma eventual união entre Tesla e SpaceX poderia resultar numa das maiores operações de fusão da história.

Segundo estimativas divulgadas pela imprensa internacional, o grupo combinado poderia alcançar um valor de mercado superior a US$ 3,5 biliões, reunindo negócios de veículos elétricos, foguetões, satélites, inteligência artificial e robótica.

A aproximação entre as empresas acontece num momento de crescente integração das suas operações.

A Tesla desenvolve veículos elétricos, sistemas de condução autónoma e robôs humanoides, enquanto a SpaceX atua no lançamento de foguetões e na operação da rede de internet por satélite Starlink. As duas também investem em inteligência artificial e infraestrutura computacional.

Entre os projetos partilhados estão iniciativas relacionadas com o fabrico de semicondutores e o desenvolvimento de tecnologias para veículos, incluindo o novo Roadster da Tesla.

A discussão sobre uma possível fusão ganhou força depois de a SpaceX divulgar resultados trimestrais acima das expectativas do mercado.

A empresa registou uma receita de US$ 14,58 mil milhões no terceiro trimestre, superando a projeção de US$ 12,7 mil milhões dos analistas.

O lucro por ação foi de US$ 0,35, também acima dos US$ 0,15 esperados pelo mercado. Já os investimentos da empresa chegaram a US$ 19,59 mil milhões no período, incluindo US$ 16,44 mil milhões destinados a iniciativas relacionadas com inteligência artificial.

Os números impulsionaram as ações da SpaceX, que chegaram a subir cerca de 9% nas negociações antes da abertura das bolsas norte-americanas nesta quarta-feira, atingindo cerca de US$ 161.

A Tesla, por sua vez, divulgará os resultados do terceiro trimestre após o fecho do mercado nesta quarta-feira. Os analistas projetam uma receita de US$ 28,13 mil milhões e um lucro ajustado de US$ 0,44 por ação.

Embora a fusão seja vista como uma possibilidade por analistas de Wall Street, a sua concretização dependerá de negociações entre os representantes das empresas, da aprovação dos acionistas e de avaliações regulatórias.

A combinação de negócios tão grandes e com atividades em setores estratégicos, como tecnologia espacial, comunicações e inteligência artificial, poderá também suscitar questões junto das autoridades responsáveis pela concorrência e pela segurança nacional.

O Bitcoin já faz parte das reservas das duas empresas

Tanto a Tesla como a SpaceX têm um historial de investimentos em Bitcoin.

A Tesla anunciou a sua primeira grande compra da criptomoeda em fevereiro de 2021, quando revelou um investimento de US$ 1,5 mil milhões. Na altura, também informou que pretendia aceitar Bitcoin como forma de pagamento pelos seus veículos, iniciativa posteriormente suspensa por preocupações ambientais relacionadas com a mineração.

Em 2022, a fabricante vendeu aproximadamente 75% das unidades que possuía, mas manteve uma parcela das suas reservas na criptomoeda.

A SpaceX também acumula bitcoins há vários anos, embora divulgue menos informação detalhada sobre as suas operações com o ativo.

Segundo os dados mais recentes reunidos pela BitcoinTreasuries, as suas reservas somam 18.712 BTC, o que coloca a empresa entre as maiores detentoras corporativas da criptomoeda.

Caso a fusão avance, o stock combinado de 30.221 BTC seria superior ao de várias empresas que adotaram o Bitcoin como ativo de reserva, embora fique ainda muito abaixo das cerca de 848,5 mil unidades detidas pela Strategy, empresa de Michael Saylor.

A união, contudo, não representaria necessariamente uma nova compra de bitcoins. As moedas já pertencem às duas empresas e seriam apenas reunidas dentro da estrutura do grupo resultante da eventual fusão.

O movimento chama a atenção por mostrar como o Bitcoin poderia ganhar ainda mais relevância dentro de um conglomerado de tecnologia e infraestrutura comandado por Elon Musk.

Por enquanto, no entanto, a possibilidade mantém-se em fase de avaliação, sem definição sobre valores, estrutura da operação ou prazo para a sua conclusão.

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