A Solana ativou esta quarta-feira (21) a Alpenglow, uma das maiores atualizações da sua história, que promete tornar as transações na blockchain praticamente instantâneas. A mudança reduz o tempo necessário para que uma operação seja considerada definitiva de aproximadamente 12,8 segundos para cerca de 150 milissegundos, uma redução de quase 99%.

A atualização entrou em funcionamento por volta das 11h (hora de Brasília), quando os validadores da rede substituíram o antigo sistema de consenso, chamado TowerBFT, pelo novo protocolo Alpenglow. A mudança foi confirmada pela Anza, empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia.

Segundo a equipa, a transição aconteceu sem necessidade de interromper a blockchain ou reiniciar o histórico de transações. O novo sistema começou a funcionar no bloco identificado pelo número 459.653.000.

A atualização representa a maior mudança na infraestrutura de validação da Solana desde o lançamento da rede, em março de 2020. O objetivo é tornar a blockchain mais rápida e competitiva para aplicações financeiras, nomeadamente pagamentos, negociação de ativos e operações com produtos tokenizados.

"Esta é a maior e mais ambiciosa atualização de blockchain desde o The Merge, e a Anza levou-a de um documento técnico à rede principal em menos de 18 meses", afirmou Brennan Watt, CEO da Anza, ao Decrypt.

A referência é à atualização realizada pelo Ethereum em 2022, quando a segunda maior blockchain do mercado abandonou a mineração tradicional e passou a utilizar um mecanismo de validação baseado em staking.

No caso da Solana, a principal mudança acontece na forma como os computadores responsáveis pela rede, conhecidos como validadores, chegam a acordo sobre quais transações são legítimas.

Até agora, esses computadores precisavam de registar os seus votos na própria blockchain, o que aumentava o tempo necessário para considerar uma operação definitiva.

Com a Alpenglow, os votos passam a ser enviados diretamente entre os validadores, sem ser necessário esperar pelo registo em novos blocos.

O novo mecanismo permite que uma transação seja finalizada numa única ronda quando recebe o apoio de pelo menos 80% das participações utilizadas na validação. Noutras situações, o sistema recorre a uma segunda ronda de votação.

Na prática, isto significa que uma corretora poderá reconhecer o recebimento de uma transferência de criptomoedas quase de imediato, enquanto empresas poderão liquidar pagamentos e negociações de ativos digitais com menos tempo de espera.

É importante sublinhar que a mudança se refere sobretudo à finalidade das transações, ou seja, ao momento em que deixam de poder ser revertidas, e não necessariamente a um aumento de 99% na capacidade de processamento da rede.

Para os utilizadores comuns, não será necessário atualizar carteiras nem realizar qualquer procedimento adicional. A mudança aconteceu na infraestrutura da blockchain, mantendo o funcionamento habitual das aplicações.

Atualização foi aprovada por mais de 98% dos validadores

A Alpenglow começou a ser desenvolvida em 2025 e foi aprovada pelos validadores da Solana em setembro desse ano, com o apoio de mais de 98% dos votos registados.

Antes de chegar à rede principal, o protocolo passou por diferentes etapas de testes, incluindo simulações de ataques, avaliações de segurança e procedimentos de migração.

Segundo o CoinDesk, os testes também envolveram dificuldades, incluindo uma tentativa de migração que precisou de ser revertida antes de ser repetida com sucesso.

A Anza afirma que o novo sistema foi concebido para continuar a funcionar mesmo em situações de instabilidade.

O protocolo foi projetado para tolerar a presença de até 20% de participações maliciosas na rede, além de outros 20% temporariamente desligados.

A atualização pode ainda reduzir os custos operacionais dos validadores, uma vez que elimina a necessidade de registar continuamente os seus votos na blockchain.

A Alpenglow, no entanto, ainda não está totalmente concluída. A etapa ativada esta quarta-feira corresponde ao Votor, componente responsável pelo processo de votação e confirmação das transações.

Uma segunda fase, chamada Rotor, deverá substituir o sistema utilizado para distribuir informação sobre novos blocos entre os validadores, mas ainda não tem data de lançamento.

Os programadores estudam ainda outras melhorias, incluindo mudanças na distribuição geográfica dos validadores e uma proposta chamada Quantumglow, destinada a tornar o protocolo resistente a eventuais ataques de computadores quânticos.

Estas iniciativas ainda estão em desenvolvimento e não fazem parte da atualização colocada em funcionamento esta quarta-feira.

Analista vê potencial de valorização de 32% para a Solana

A chegada da Alpenglow acontece também num momento de expectativas positivas para a criptomoeda SOL, utilizada para pagar taxas e participar no mecanismo de segurança da rede.

Na semana passada, Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, apontou um potencial de valorização de aproximadamente 32% para a Solana, considerando uma região de entrada próxima de US$ 106.

Segundo o especialista, a criptomoeda reúne três fatores favoráveis: o avanço da tokenização de ativos, a implementação da Alpenglow e uma configuração gráfica que pode abrir espaço para novas subidas.

O analista estabeleceu um alvo de US$ 140 para a SOL, com um ponto de saída defensivo em US$ 95 caso o mercado apresente uma deterioração.

Na avaliação de Fontes, a atualização pode fortalecer a utilização da Solana em aplicações financeiras que exigem velocidade e segurança, nomeadamente na negociação de ativos tradicionais representados digitalmente em blockchain.

Um dos segmentos em expansão é o das ações tokenizadas, que permitem negociar representações digitais de títulos de empresas através de redes blockchain.

Segundo os dados reunidos pelo MB, a Solana movimentou aproximadamente 8,8 mil milhões de dólares em negociações de ações tokenizadas no segundo trimestre de 2026, um crescimento de cerca de 325% face ao trimestre anterior. Parte destas operações aconteceu através de plataformas como a Raydium e a Jupiter, que utilizam a infraestrutura da Solana.

O interesse institucional também tem vindo a crescer. O JPMorgan, por exemplo, já participou em iniciativas relacionadas com a circulação e a liquidação de ativos tokenizados na rede.

Para Fontes, a redução do tempo de confirmação das transações pode aumentar a competitividade da Solana face a outras blockchains e aos sistemas financeiros tradicionais.

A projeção de subida depende, no entanto, das condições gerais do mercado e não representa uma garantia de valorização.

Na manhã desta quarta-feira, antes da ativação da Alpenglow, a SOL era negociada na região dos US$ 107, acompanhando a recuperação observada nas principais criptomoedas.

A implementação da atualização representa um avanço tecnológico para a Solana, mas o seu impacto sobre a utilização da rede e sobre o preço da criptomoeda dependerá da adoção das melhorias por programadores, empresas e investidores nos próximos meses.

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