Um investigador de segurança que opera sob o pseudónimo "floppy" publicou, a 24 de outubro, um relatório alegando que a Cake Wallet, uma carteira móvel de bitcoin de código aberto, contém uma falha que poderia permitir a um atacante redirecionar pagamentos em bitcoin quando um utilizador acelera uma transação pendente recorrendo ao mecanismo Replace-By-Fee (RBF). A Cake Wallet não respondeu ao relatório, e a alegação permanece por verificar por terceiros independentes.
Segundo o relatório, o problema reside na forma como a Cake Wallet constrói uma transação de substituição quando um utilizador escolhe "aumentar" a taxa de um pagamento ainda não confirmado. Em vez de se basear nos seus próprios registos de transações, a aplicação solicita dados a um servidor Electrum para construir a substituição. O investigador alega que a aplicação não verifica se os dados recebidos correspondem efetivamente ao que foi solicitado, deixando margem para manipulação.
De acordo com o relatório, duas categorias de atacantes poderiam explorar esta falha: quem opera o servidor Electrum ao qual a aplicação se liga — seja o servidor predefinido, um nó de terceiros ou até um nó personalizado escolhido pelo utilizador — ou um intermediário de rede posicionado entre o utilizador e esse servidor, como alguém a monitorizar tráfego numa rede wifi pública. O relatório afirma ainda que a aplicação aceita qualquer certificado de segurança que lhe seja apresentado sem verificar a identidade do servidor, o que tornaria viável o cenário do intermediário de rede. O modo Tor integrado da Cake Wallet é descrito como uma exceção, pois alegadamente verifica o servidor e fecharia essa via em particular.
Floppy notou que um utilizador não teria forma de detetar a manipulação caso o servidor malicioso respondesse com verdade numa consulta inicial e só alterasse os dados numa consulta posterior, o que tornaria o ataque difícil de notar na prática.
Prova de conceito e limitações
O relatório inclui uma prova de conceito que o investigador afirma ter executado numa rede de teste local do Bitcoin, na qual uma transação de substituição fraudulenta foi aceite e confirmada, enviando o pagamento para um endereço controlado pelo atacante. O investigador reconheceu uma limitação: a prova de conceito não foi executada contra a aplicação Cake Wallet efetivamente instalada num dispositivo. Floppy afirmou também ter utilizado ferramentas de inteligência artificial para investigar a falha, construir a prova de conceito e redigir o relatório. Não há registos de roubos reais associados a este problema.
Divulgação em menos de cinco dias, não noventa
O investigador publicou as conclusões cinco dias depois de as ter enviado à equipa da Cake Wallet, bem aquém da janela de cerca de 90 dias normalmente associada às práticas de divulgação responsável. Floppy acusou a equipa de estar mais focada em marketing. Numa publicação nas redes sociais a resumir o problema, o investigador descreveu-o simplesmente como "roubo via RBF".
O relatório propõe que a aplicação deveria verificar se qualquer transação recebida de um servidor corresponde ao que foi originalmente solicitado e deveria mostrar no ecrã exatamente o que está prestes a assinar antes de o utilizador confirmar. Entretanto, tanto o investigador como materiais da própria Cake Wallet apontam precauções que os utilizadores podem tomar: evitar usar a opção "Bump fee" em transações pendentes, ativar o modo Tor integrado na aplicação, ou ligar-se a um servidor Electrum pessoal ou de outra forma considerado fiável, em vez do predefinido ou de terceiros.
A divulgação surge depois de a Cake Wallet ter declarado no seu fórum oficial, em resposta a um roubo recente que afetou outra carteira, que auditava essa categoria de código há anos e que tinha intensificado as suas revisões recorrendo a modelos de IA. A empresa ainda não respondeu às alegações específicas do relatório de floppy.



