O Bitcoin negoceia em alta esta quarta-feira (21), acompanhando a recuperação das bolsas internacionais após resultados positivos de empresas ligadas à inteligência artificial. A criptomoeda voltou a aproximar-se dos US$ 83 mil, depois de ter sofrido com a queda das ações tecnológicas nos últimos dias, mas analistas alertam que o mercado continua exposto ao risco de novas perdas.

Esta manhã, o Bitcoin sobe 2,3%, cotado a US$ 83.207 em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 69.908 EUR, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, avança 3%, para US$ 2.446. Já o XRP sobe 4,8%, enquanto a Solana avança 2,5% e a BNB regista uma alta de 2,7%.

Entre as maiores valorizações estava a Zcash, que disparava cerca de 12%, aproximando-se dos US$ 1.260. A subida foi impulsionada pelo anúncio de uma nova atualização da rede, chamada NU7, que promete reduzir o tempo de produção de blocos de 75 para 25 segundos, acelerando a confirmação das transações.

Dogecoin e Hyperliquid também se destacavam, com valorizações superiores a 3%.

A melhoria do mercado cripto acompanha a recuperação das ações tecnológicas, em particular de empresas ligadas à inteligência artificial, depois de uma sequência de quedas provocadas por preocupações com os elevados investimentos no setor.

Resultados de empresas de tecnologia impulsionam o Bitcoin…

O principal impulso para os mercados nesta quarta-feira veio dos resultados trimestrais da SpaceX e da Super Micro Computer, que superaram as expectativas dos investidores e ajudaram a recuperar o entusiasmo em torno do setor de inteligência artificial.

As ações da SpaceX sobem cerca de 9% nas negociações antes da abertura das bolsas norte-americanas, enquanto os títulos da Super Micro Computer chegaram a saltar 16%.

Os resultados positivos aliviaram parte das preocupações sobre a capacidade das empresas de transformar os investimentos avultados em infraestrutura de inteligência artificial em crescimento de receitas e lucros.

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Na Ásia, a reação foi imediata. O índice Kospi, da Coreia do Sul, subiu cerca de 3,7%, recuperando as perdas registadas no dia anterior. Em Taiwan, o Taiex avançou 1,4%, impulsionado pelas ações de empresas de semicondutores.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros do Nasdaq 100, índice que reúne grandes empresas tecnológicas, também negociavam em alta, sinalizando uma abertura positiva em Wall Street.

Apesar da melhoria, nem todas as empresas do setor apresentaram resultados favoráveis. Na Austrália, a Nextdc, especializada em centros de dados, viu as suas ações despencarem cerca de 40% depois de ter reduzido as projeções financeiras.

…mas os riscos permanecem

O cenário mostra que os investidores continuam atentos à sustentabilidade das despesas com inteligência artificial, um dos principais fatores de volatilidade nas bolsas nas últimas semanas.

Outro motivo de preocupação é a subida do petróleo. O barril de Brent voltou a superar os US$ 110 perante ataques a embarcações na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

A valorização da matéria-prima pode pressionar a inflação e dificultar eventuais cortes de juros pela Reserva Federal norte-americana, reduzindo o interesse por ativos considerados mais arriscados, como o Bitcoin e as ações tecnológicas.

Neste cenário, os analistas acompanham os próximos níveis de preço do Bitcoin para avaliar se a recuperação terá continuidade.

Simon-Peter Massabni, chefe de desenvolvimento de negócios da XS.com, afirmou à CoinDesk que a região dos US$ 82.500 representa um suporte importante para a criptomoeda.

Segundo o analista, uma perda consistente deste patamar poderia abrir espaço para uma queda até aos US$ 70 mil, cenário também considerado pela formadora de mercado Wintermute.

Por outro lado, uma recuperação acima dos US$ 84 mil enfraqueceria esta previsão negativa e poderia sinalizar uma melhoria mais consistente do mercado.

A gestora Hashdex também considera que o período de baixa do Bitcoin pode estar próximo do fim. Em análise, a empresa destacou que, até 30 de setembro, o atual ciclo de baixa da criptomoeda tinha durado 359 dias. Nos três ciclos anteriores, os períodos equivalentes duraram 361, 377 e 411 dias.

Outro indicador mencionado pela gestora é a participação dos investidores de curto prazo na oferta de Bitcoin. Atualmente, este grupo detém apenas 16% das moedas existentes, a menor percentagem desde janeiro de 2023.

Como estes investidores costumam vender mais rapidamente durante períodos de queda, a redução da sua participação pode indicar uma diminuição da pressão vendedora no mercado.

Apesar disso, a Hashdex considera importante que o Bitcoin recupere os US$ 84 mil antes da próxima reunião da Reserva Federal, marcada para os dias 27 e 28 de outubro.

Até lá, os investidores também vão acompanhar a divulgação dos resultados de grandes empresas norte-americanas, incluindo a Meta e a Tesla, em busca de sinais sobre a saúde do setor tecnológico e os próximos movimentos das bolsas.

A combinação destes fatores deverá continuar a influenciar o Bitcoin, que tenta consolidar a sua recuperação depois de um período de forte volatilidade.

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