O Bitcoin opera em queda esta quinta-feira (22), pressionado por uma forte desvalorização das bolsas asiáticas, que levou o mercado acionista da China a entrar em bear market, período caracterizado por perdas de pelo menos 20% face ao pico recente. A criptomoeda também devolveu a valorização registada na noite anterior, quando chegou perto dos US$ 85 mil, provocando milhões de dólares em liquidações de investidores.
Esta manhã, o Bitcoin regista uma queda de 1,6%, cotado a US$ 81.980 em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 68.925 EUR, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 1,9%, para US$ 2.409. Já o XRP cai 1,5%, enquanto a Solana recua 2,3% e a BNB regista uma queda de 1,6%.
O movimento acompanha uma onda de perdas nos mercados internacionais. Na China, o índice CSI 300, que reúne as 300 maiores ações negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 2% esta quinta-feira, acumulando uma queda de 20% face ao pico registado em junho.
O resultado coloca o mercado acionista chinês em território de baixa, aumentando a preocupação dos investidores com o desempenho da segunda maior economia do mundo.
A queda atingiu também outras bolsas asiáticas. No Japão, o índice Nikkei 225 recuou aproximadamente 3%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 3,5%. Em Taiwan, o principal índice acionista caiu 2%, e o Hang Seng, de Hong Kong, registou perdas de cerca de 3%.
As empresas de tecnologia lideraram a desvalorização. Segundo a Bloomberg, as ações chinesas do setor negociadas em Hong Kong tiveram o pior desempenho diário desde o anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump, em abril de 2025.
O índice que acompanha estas empresas já acumula uma queda superior a 40% face ao máximo recente, eliminando praticamente os ganhos registados após o pacote de estímulos anunciado pelo governo chinês em setembro.
O movimento foi intensificado pelos resultados trimestrais de empresas norte-americanas, que voltaram a levantar dúvidas sobre a capacidade de os investimentos milionários em inteligência artificial gerarem retornos financeiros.
A Tesla, por exemplo, apresentou uma redução na sua projeção de investimentos, enquanto a Meta elevou o limite inferior da sua previsão de despesas. Os anúncios aumentaram a cautela dos investidores em relação ao setor tecnológico.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros do Nasdaq 100, índice que reúne grandes empresas tecnológicas, recuavam quase 2%, indicando a possibilidade de novas perdas na abertura das bolsas.
Outro fator que pressiona os mercados é a subida do petróleo. O barril de Brent superou os US$ 112 esta quinta-feira, atingindo o seu nível mais alto desde maio, enquanto o petróleo norte-americano WTI ultrapassou os US$ 100.
A valorização da matéria-prima aumenta as preocupações com a inflação global e pode dificultar eventuais cortes de juros por parte da Reserva Federal norte-americana.
O clima de aversão ao risco atingiu também os metais preciosos. O ouro recuou mais de 1%, para menos de US$ 4.100 por onça, enquanto a prata caiu mais de 3,5%, sendo transacionada perto dos US$ 55.
Nesse ambiente, a recuperação do Bitcoin observada na quarta-feira perdeu força rapidamente, afetando sobretudo investidores que operam com alavancagem.
Segundo dados da CoinGlass, aproximadamente US$ 431 milhões em posições alavancadas foram liquidados no mercado de criptomoedas nas últimas 24 horas.
Inicialmente, a valorização do Bitcoin provocou o encerramento forçado de cerca de US$ 173 milhões em posições curtas, utilizadas por investidores que apostavam na queda do preço.
Quando a criptomoeda passou a recuar, foi a vez de os investidores que apostavam na subida sofrerem perdas. Nas 12 horas anteriores ao levantamento, cerca de US$ 210 milhões em posições longas foram liquidados.
A maior liquidação individual identificada ocorreu na Binance, onde uma posição longa de Bitcoin avaliada em US$ 11,8 milhões foi encerrada quando a criptomoeda estava próxima dos US$ 83.500.
Apesar da queda desta quinta-feira, os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registaram uma recuperação na entrada de recursos.
Segundo dados da SoSoValue, os produtos receberam aproximadamente US$ 1,08 mil milhões em entradas líquidas nos três primeiros pregões desta semana, indicando uma retoma da procura dos investidores pela criptomoeda.
O resultado é positivo, mas os analistas alertam que o ritmo recente de investimentos ainda não é suficiente para indicar uma nova tendência consistente de subida.
"Há uma melhoria inicial na procura institucional. No entanto, os fluxos continuam voláteis, e são necessárias entradas sustentadas para confirmar uma recuperação mais forte", afirmou Vikram Subburaj, CEO da exchange indiana Giottus, ao CoinDesk.
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