O Bitcoin começou a semana em queda e chegou a ser negociado abaixo dos US$ 80 mil nesta segunda-feira (26), pressionado pela cautela dos investidores antes da decisão de juros da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos. O mercado também acompanha uma nova rodada de perdas nas ações de empresas tecnológicas, em meio às preocupações com os investimentos avultados em inteligência artificial.
Esta manhã, o Bitcoin regista uma ligeira subida de 0,2%, cotado a US$ 80.262 em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 72.426 EUR, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, mantém-se estável nos US$ 2.324. Já o XRP cai 0,4%, enquanto a Solana sobe 0,6% e a BNB regista alta de 0,4%.
Durante a madrugada, o Bitcoin chegou a cair para menos de US$ 79.300, antes de recuperar parte das perdas e voltar à região dos US$ 80 mil. A criptomoeda acumula uma desvalorização de aproximadamente 4% desde quinta-feira (22), quando era negociada perto dos US$ 84 mil.
Para analistas, a pressão vendedora reflete uma redução da exposição dos investidores aos ativos considerados mais arriscados antes da reunião do Fed, marcada para quarta-feira (28).
Embora o mercado espere que o banco central norte-americano mantenha os juros na faixa atual de 3,75% a 4% ao ano, a principal preocupação está relacionada com os próximos passos da política monetária, especialmente com a possibilidade de uma nova subida em dezembro.
"Esta semana, todas as atenções estão voltadas para a reunião do Fed, e já parece que os investidores estão a reduzir risco, com o Bitcoin a cair abaixo dos US$ 80 mil", afirmou Jeff Mei, diretor de operações da exchange BTSE.
Segundo ele, a combinação de inflação elevada, petróleo caro e tensões entre os Estados Unidos e o Irão pode levar o Fed a adotar um discurso mais duro. "Embora o Fed provavelmente não altere os juros esta semana, estamos a observar o quanto o presidente sinalizará uma subida em dezembro. É isso que realmente importa para as criptomoedas", acrescentou.
Juros mais elevados tendem a reduzir a atratividade de ativos como o Bitcoin e as ações, já que aumentam o custo do crédito e favorecem investimentos de rendimento fixo.
Outro fator que pressiona o mercado é a queda das ações tecnológicas na Ásia, em especial de empresas ligadas à inteligência artificial.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou depois de o Goldman Sachs ter reduzido em 25% a sua projeção para o indicador nos próximos 12 meses. No Japão, os fabricantes de semicondutores lideraram as perdas do índice Nikkei.
O movimento reflete dúvidas crescentes dos investidores quanto aos gastos elevados das empresas tecnológicas com infraestrutura de IA e ao tempo necessário para transformar esses investimentos em lucro.
O petróleo, por sua vez, apresentou algum alívio nesta segunda-feira. O barril de Brent recuou cerca de 2%, para aproximadamente US$ 114, depois de declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de um acordo com o Irão.
Ainda assim, os preços elevados da matéria-prima continuam a preocupar os investidores devido ao impacto potencial sobre a inflação global.
Bitcoin precisa de recuperar os US$ 82.500, dizem analistas
A queda desta segunda-feira reforça a importância de alguns níveis de preço acompanhados pelos analistas. O Bitcoin precisa de recuperar a região dos US$ 82.500, suporte perdido na quinta-feira (22), para demonstrar uma retoma mais consistente da força compradora.
Enquanto permanecer abaixo desse patamar, a criptomoeda poderá continuar a enfrentar dificuldades para sustentar uma recuperação, especialmente perante a falta de apetite por risco nos mercados internacionais.
O movimento ocorre também após uma reversão nos fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos.
Segundo dados citados pela Bloomberg, esses fundos registaram saídas líquidas de aproximadamente US$ 772,4 milhões na quinta e na sexta-feira, depois de terem recebido mais de US$ 1 mil milhões em entradas no início da semana passada.
Para Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets, o Bitcoin ainda demonstra alguma resistência perante as preocupações com o endividamento das empresas de inteligência artificial, que têm pressionado diferentes classes de ativos.
A especialista avalia, no entanto, que o principal fator de atenção agora é a reunião do Fed, seguida pelas eleições legislativas norte-americanas de novembro.
Já Pratik Kala, gestor de portefólio da Apollo Crypto, observa que o Bitcoin continua a ser tratado como um ativo de risco por muitos fundos quantitativos e operadores que utilizam estratégias automatizadas, ficando vulnerável a períodos de maior pessimismo nos mercados.
Semana terá decisões de quatro bancos centrais
A semana promete ser movimentada para o mercado de criptomoedas, com decisões de juros de quatro grandes bancos centrais e a divulgação de resultados financeiros de empresas importantes para o setor.
O principal evento será a reunião do Federal Reserve, na quarta-feira (28). A decisão está prevista para as 18h (hora de Lisboa), seguida pela conferência de imprensa do presidente da instituição, Kevin Warsh, às 18h30.
De acordo com Vugar Usi Zade, CEO da exchange MEXC, os investidores estarão mais interessados nas declarações sobre dezembro do que na própria decisão desta semana.
"Como a manutenção dos juros já está incorporada nas expectativas do mercado, esta decisão dificilmente será um catalisador positivo significativo", afirmou.
Ainda na quarta-feira, o Banco do Canadá também anunciará a sua decisão de política monetária. Na quinta-feira (29), será a vez do Banco Central Europeu (BCE), que deverá apresentar as suas perspetivas para os juros da zona euro. O Banco do Japão divulgará igualmente a sua decisão no final da semana.
Além disso, os Estados Unidos publicarão dois indicadores importantes na quinta-feira: a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre e o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) de setembro, uma das principais referências de inflação acompanhadas pelo Fed.
No setor corporativo, o destaque será a divulgação dos resultados financeiros da Coinbase, uma das maiores exchanges dos Estados Unidos, marcada para quinta-feira (29).
A Strategy, maior empresa cotada em bolsa detentora de Bitcoin em tesouraria, apresentará igualmente o seu balanço no mesmo dia. Antes disso, na terça-feira (27), serão conhecidos os resultados da Galaxy Digital e da Robinhood.
Os balanços poderão oferecer sinais sobre a atividade de negociação, o interesse dos investidores institucionais e a saúde financeira das empresas ligadas ao mercado cripto.
Para o Bitcoin, a combinação destes eventos significa uma semana de possíveis oscilações mais intensas, sobretudo se o discurso dos bancos centrais ou os indicadores económicos alterarem as expectativas para os juros nos próximos meses.
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