Vinte e uma das maiores instituições financeiras do mundo comprometeram-se na terça-feira a construir uma empresa que emitirá uma stablecoin em dólar americano. Goldman Sachs, Bank of America e Citi lideram o grupo, de acordo com um comunicado conjunto. A empresa ainda não tem nome e a sua formação, prevista para o segundo semestre de 2026, continua sujeita a condições de fecho.

Importa ser preciso sobre o que isto não é. Uma CBDC é uma responsabilidade direta de um banco central — moeda digital que o próprio Federal Reserve emitiria e garantiria. O token deste consórcio é o oposto: uma responsabilidade privada de uma empresa comercial, garantida por reservas detidas pelos próprios bancos, sem envolvimento do balanço do Fed.

A distinção tem peso nos EUA em particular, já que o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva em janeiro de 2025 proibindo agências federais de desenvolver ou emitir uma CBDC, ao mesmo tempo que orientava explicitamente o governo a apoiar stablecoins privadas indexadas ao dólar. Assim, uma stablecoin emitida por bancos não é necessariamente uma CBDC disfarçada — é a alternativa exata que Washington escolheu em vez de uma.

A lista abrange cinco regiões. A América do Norte contribui com Goldman Sachs, Bank of America, Citi, Capital One, Fidelity Investments, PNC Financial Services, Scotiabank, TD Bank Group, Wells Fargo e WisdomTree. A Europa traz Santander, BBVA, Commerzbank, Crédit Agricole, Deutsche Bank, Lloyds Banking Group, Rabobank e UBS, enquanto MUFG Bank, Sirius International Holding e Standard Bank cobrem o Leste Asiático, o Médio Oriente e a África.

Os bancos querem o token usado em mercados grossistas, institucionais e de retalho, com pagamentos transfronteiriços e liquidação de ativos digitais como primeiras aplicações. Uma vez lançada a moeda em dólar, segue-se uma versão denominada em euro, antes de outras moedas do G7. O empreendimento está pensado para cumprir a Lei GENIUS dos EUA e, quando aplicável, o quadro MiCA da UE.

A ideia não é nova. JPMorgan, Bank of America, Citi e Wells Fargo têm vindo a considerar um token conjunto desde 2025, meses antes de 10 instituições iniciais anunciarem formalmente o esforço. O JPMorgan, note-se, não figura entre os 21 nomes anunciados esta semana.

Os bancos não são os únicos a construir infraestruturas de pagamento partilhadas. Em agosto, 39 associações bancárias estaduais nos EUA formaram a BankChain Alliance, uma rede separada destinada a dar aos credores comunitários e regionais acesso a depósitos tokenizados. E em junho, os próprios parceiros de distribuição da Circle, incluindo Visa, Mastercard e Stripe, apoiaram a Open USD, uma stablecoin rival. Isso fez com que as ações da Circle caíssem em resposta.

A Boston Consulting Group e a Brunswick Group estão a assessorar o empreendimento, embora ambas afirmem não ter autoridade para vincular o consórcio ou os seus membros. O objetivo do grupo mantém-se: uma stablecoin em dólar americano no mercado até ao primeiro semestre de 2027.

* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.

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