A Liquid Network, a sidechain de Bitcoin operada por uma federação de membros que inclui corretoras e fornecedores de infraestrutura, suspendeu as operações depois de um exploit ter permitido a um atacante cunhar L-BTC falsos e drenar quase a totalidade das reservas de bitcoin da rede.
Segundo a Federação, a vulnerabilidade teve origem no Elements, o software derivado do Bitcoin sobre o qual a Liquid funciona, especificamente na forma como o sistema valida transações confidenciais. Alegadamente, uma prova criptográfica em cache foi reutilizada de forma incorreta, permitindo que uma transação inválida passasse despercebida pelas verificações dos nós.
Explorando esta falha, o atacante usou um único L-BTC legítimo como base para gerar aproximadamente 4.000 L-BTC do nada. O L-BTC destina-se a representar bitcoin na Liquid Network numa base de 1:1, com lastro em BTC bloqueado junto da Federação. Os tokens fabricados não tinham qualquer lastro desse tipo.
Os L-BTC falsos foram depois encaminhados para o serviço de levantamento da SideSwap, um membro da Federação que facilita a conversão de L-BTC de volta para BTC. Através desse canal, o atacante conseguiu que 3.996 BTC reais fossem libertados para um endereço externo, extraindo valor de reservas que nunca tinham sido, de facto, depositadas.
Reservas quase esgotadas
O levantamento correspondeu a cerca de 95% das reservas de bitcoin da Federação, deixando aproximadamente 197 BTC remanescentes. Como resultado, o L-BTC não pode atualmente ser resgatado por BTC, e os detentores do token estão impossibilitados de sair das suas posições enquanto a rede permanecer suspensa.
Em resposta, a Federação desativou temporariamente os nós de ponte, e as corretoras ligadas à Liquid suspenderam tanto os depósitos como os levantamentos envolvendo a rede.
A Federação afirmou que a Peg-out Authorization Key, que rege a autorização para saídas de L-BTC de volta para a rede Bitcoin, não foi comprometida no incidente. Também afirmou que os módulos de segurança de hardware e o esquema de multiassinatura utilizado pelos membros da Federação não falharam, apontando antes para a falha ao nível do software na validação de transações como causa principal.
Uma mensagem invulgar na cadeia
Numa mensagem registada na cadeia, o atacante descreveu-se como "hackers de sombrero blanco", expressão em espanhol para hackers de chapéu branco, designação habitualmente usada por quem afirma expor vulnerabilidades em vez de as explorar para benefício pessoal.
A Federação não revelou como pretende colmatar o défice nas reservas nem que recurso, se algum, está disponível para os detentores de L-BTC enquanto a rede permanecer offline. Por agora, a sidechain continua suspensa enquanto prossegue a investigação sobre o mecanismo exato do exploit.




