A Strategy, a empresa norte-americana de software que se tornou a maior detentora corporativa de bitcoin com 848.517 BTC, enfrenta uma revisão que pode retirar-lhe uma fonte-chave de financiamento: a procura passiva dos fundos indexados à MSCI.

A 15 de outubro, a fornecedora de índices MSCI aprovou uma nova metodologia que exclui empresas não operacionais dos seus índices de referência globais. Segundo as regras revistas, as empresas que falham um teste inicial de ativos operacionais são depois avaliadas em função de cinco indicadores financeiros adicionais. Uma empresa pode ser removida dos índices da MSCI se falhar pelo menos quatro desses cinco critérios. A Strategy integra atualmente tanto o índice MSCI USA como o MSCI World.

A MSCI deverá publicar a lista final das empresas afetadas pela revisão a 11 de novembro, com quaisquer alterações a entrarem em vigor após o fecho do mercado de 30 de novembro. Para os investidores europeus, a data é relevante: fundos passivos e ETFs que replicam os índices MSCI World e MSCI USA detêm ações da Strategy como forma indireta de exposição ao bitcoin, e a sua remoção obrigaria muitos deles a vender.

Um modelo de financiamento assente na emissão de ações

O que está em jogo vai além da simples presença no índice. A Strategy tem financiado a maior parte das suas compras de bitcoin não através do fluxo de caixa operacional, mas através da venda das suas próprias ações MSTR. A 12 de outubro, a empresa divulgou a compra de 250 BTC por cerca de 21,5 milhões de dólares, dos quais 21 milhões de dólares provieram da venda de ações MSTR e apenas 500 mil dólares das suas próprias reservas de caixa. Este padrão tem sido típico da forma como a Strategy tem vindo a aumentar a sua tesouraria até aos níveis atuais.

A pertença ao índice ajuda a sustentar este mecanismo, gerando uma procura constante e pouco sensível ao preço por parte de fundos obrigados a deter a ação para replicar o seu benchmark. A perda desse estatuto não eliminaria a capacidade da Strategy de emitir ações, mas removeria uma camada de procura estrutural que tem facilitado a absorção de vendas de ações frequentes e de grande dimensão.

O JPMorgan estimou que as saídas associadas a uma eventual exclusão poderiam atingir 2,8 mil milhões de dólares. A Strategy sustenta que opera um verdadeiro negócio de software e defende que a gestão ativa da tesouraria em bitcoin faz parte dessa atividade operacional, uma posição que irá moldar a sua resposta caso a lista final da MSCI confirme o risco.

Implicações mais amplas para as empresas de tesouraria em bitcoin

A Metaplanet, a empresa japonesa que construiu a sua própria estratégia em torno da acumulação de bitcoin e que é a segunda maior detentora corporativa de BTC depois da Strategy, surge também entre as empresas que a revisão da MSCI poderá afetar. Para os mercados europeus, onde as ações que funcionam como proxy do bitcoin têm atraído interesse de investidores de retalho e institucionais como alternativa à detenção direta de criptomoedas, a revisão é um lembrete de que a inclusão no índice que sustenta grande parte desse apelo não está garantida. Os investidores na Europa que têm tratado a MSTR e ações semelhantes como uma via líquida de exposição ao bitcoin estarão atentos ao anúncio da MSCI a 11 de novembro.