O Parlamento Europeu aprovou uma resolução que apela a uma abordagem mais firme da UE contra a corrupção, pedindo explicitamente à Comissão Europeia que preste atenção às criptomoedas, a estruturas empresariais opacas e a outros meios financeiros digitais na preparação de uma nova estratégia anticorrupção.
Para as empresas e investidores que operam no setor cripto europeu, a resolução sinaliza para onde se está a dirigir a atenção política. Os eurodeputados querem que as autoridades europeias estejam mais bem equipadas para determinar quem está por detrás de certas construções financeiras, e para facilitar o rastreio, o congelamento e o confisco de fundos provenientes da corrupção. Parte deste esforço, segundo a resolução, deve centrar-se na transparência das carteiras cripto.
O texto vai além dos ativos digitais. Pede também mais abertura em torno dos contratos públicos, do financiamento político e dos contactos entre políticos e lobistas, e sublinha a importância de uma proteção adequada para os denunciantes que expõem irregularidades.
Um sinal não vinculativo, por agora
A resolução em si não tem peso jurídico. Não é vinculativa e não desencadeia automaticamente novas regras para empresas de criptomoedas ou para qualquer outra entidade que opere no bloco. O seu significado reside, em vez disso, na orientação que define para a Comissão Europeia, que está a trabalhar numa nova estratégia anticorrupção prevista para ser apresentada no final de 2026.
Essa estratégia vai assentar no trabalho já realizado a nível da UE. Uma diretiva europeia anticorrupção entrou em vigor em maio, estabelecendo uma base jurídica mais ampla para os esforços do bloco contra a corrupção. A resolução do Parlamento acrescenta pressão política sobre a Comissão para garantir que o setor dos ativos digitais, a par de vias mais tradicionais de ocultação de fluxos financeiros ilícitos, tenha um lugar de destaque na estratégia que vier a ser adotada.
Porque importa para as empresas de cripto
A menção explícita às criptomoedas e às carteiras cripto coloca o setor diretamente num debate que até agora se centrava sobretudo em empresas de fachada, práticas de lobbying e financiamento político. Ao nomear os meios financeiros digitais a par das estruturas empresariais opacas, o Parlamento está a enquadrar as criptomoedas como uma ferramenta que pode ser explorada para ocultar a origem de fundos de corrupção, em vez de as tratar como um silo regulatório separado.
A forma exata como a Comissão irá traduzir esta preocupação em medidas concretas ainda está por ver, e a resolução não especifica que requisitos de transparência para as carteiras poderão eventualmente surgir. Mas, com uma estratégia prevista até ao final de 2026, a direção está agora mais clara: a rastreabilidade das posses em criptomoedas e a identidade de quem está por detrás de construções financeiras deverão ser temas recorrentes na agenda anticorrupção de Bruxelas no próximo ano.




