A Iberdrola, o BBVA e o Banco Santander apresentaram a 15 de outubro de 2026 uma operação de financiamento sindicado no valor de 150 milhões de euros que funciona, do início ao fim, sobre tecnologia de registo distribuído (DLT). As três empresas descrevem-na como a primeira vez que todo o ciclo de vida de um empréstimo sindicado, e não apenas a sua negociação e assinatura, é gerido através de uma plataforma blockchain.
A plataforma foi desenvolvida pela ioBuilders em colaboração com o BBVA e o Santander. Apesar da passagem para DLT, a operação mantém-se dentro das estruturas bancárias convencionais: a coordenação do empréstimo continua sob o controlo operacional do banco agente designado, tal como em qualquer operação sindicada tradicional.
Um passo além do precedente de 2018
Não é a primeira vez que instituições espanholas aplicam blockchain a empréstimos sindicados. Em 2018, a Red Eléctrica Corporación, o BBVA, o BNP Paribas e o MUFG estruturaram uma operação de financiamento sindicado do mesmo montante, 150 milhões de euros, recorrendo a DLT para a negociação e formalização do contrato.
A diferença, segundo as entidades envolvidas, está no alcance. A operação de 2018 limitou o papel da blockchain à redação e assinatura do acordo. A plataforma usada na operação da Iberdrola, do BBVA e do Santander vai mais longe, gerindo eventos ao longo de todo o ciclo de vida do empréstimo e não apenas a fase inicial de contratação.
Sem valores sobre poupanças, sem liquidação pública
O anúncio não incluiu valores concretos sobre poupanças de custos ou reduções de tempo obtidas com o uso da tecnologia. A operação também não foi apresentada como uma transferência de 150 milhões de euros liquidada numa blockchain pública; a infraestrutura DLT serve de base à gestão do ciclo de vida do empréstimo, e não como camada de liquidação pública dos próprios fundos.
O BBVA e o Santander afirmaram pretender trabalhar na incorporação progressiva de novos participantes na plataforma e na expansão das suas funcionalidades, sugerindo que a operação atual é concebida como ponto de partida e não como um produto acabado.
Para bancos e empresas europeias que acompanham a lenta adoção da tecnologia de registo distribuído nas finanças por grosso, a operação oferece um ponto de dados concreto, ainda que modesto: um empréstimo identificado, um conjunto identificado de instituições e uma plataforma cujo alcance foi deliberadamente alargado desde o último teste comparável, oito anos antes.




