Uma carta fraudulenta que se faz passar pela autoridade tributária francesa, a DGFiP, está a ser enviada a detentores de criptomoedas no país, segundo detalhes do esquema agora em circulação. O documento tem o formato de uma notificação fiscal formal, conhecida em França como "mise en demeure fiscale", e exige que os destinatários declarem as suas plataformas de criptomoedas, carteiras e protocolos DeFi.

Em vez de direcionar os destinatários para um portal governamental oficial, a carta inclui um código QR. Ao digitalizá-lo, a vítima é levada a um site fraudulento concebido para recolher dados pessoais e financeiros de quem acredita estar a cumprir uma obrigação fiscal legítima.

Um formato familiar explorado

O esquema explora a credibilidade do nome da DGFiP e o formato de uma notificação administrativa genuína para pressionar os destinatários a agir rapidamente. Ao apresentar a carta como uma exigência formal ligada ao cumprimento das obrigações fiscais, a fraude explora a ansiedade que já sentem muitos detentores de criptomoedas quanto a declarar corretamente os seus ativos digitais às autoridades.

A menção específica a plataformas, carteiras e protocolos DeFi sugere que a carta foi adaptada para parecer plausível a um público já familiarizado com as obrigações de declaração aplicáveis às posses de criptomoedas em França, em vez de se tratar de uma tentativa de phishing genérica dirigida à população em geral.

Porque importa o código QR

O uso de um código QR, em vez de um endereço web escrito, é notável. Os códigos QR são mais difíceis de inspecionar pelos destinatários antes de clicar, uma vez que o URL de destino não é visível até depois de o código ser digitalizado. Isto torna mais difícil para um destinatário atento detetar sinais óbvios de um domínio falso antes de chegar à página fraudulenta.

A abordagem reflete um padrão mais amplo observado em toda a Europa, onde os fraudadores se fazem passar cada vez mais por autoridades fiscais, serviços postais e outras instituições de confiança para obter dados pessoais ou detalhes de pagamento, adaptando o formato ao público que, em cada momento, é considerado o alvo mais lucrativo ou vulnerável. Neste caso, os detentores de criptomoedas em França parecem ser o alvo específico.

Não foram, até ao momento, divulgados mais detalhes sobre a escala da distribuição, o número de vítimas ou qualquer resposta da DGFiP.