Um casal residente perto de Montpellier foi alvo de duas tentativas distintas de invasão domiciliária ligadas a criptomoedas num período de seis meses, segundo o jornal regional Ouest-France, numa altura em que as autoridades francesas registam um aumento acentuado de sequestros e tentativas de rapto associados à posse de criptomoedas.
O incidente mais recente ocorreu por volta das 5h de terça-feira, dia 29 de setembro, em Saint-Jean-de-Védas, nos arredores de Montpellier. Três homens saltaram a vedação da propriedade mas fugiram depois de o alarme perimetral ter disparado. Os gendarmes intercetaram o trio pouco depois, num carro roubado. Os suspeitos, com 19, 30 e 38 anos, foram detidos; dois deles já eram conhecidos da justiça, segundo o Ouest-France. A investigação foi entregue à brigade de recherches de Castelnau-le-Lez. Nenhum outro órgão de comunicação social tinha confirmado os detalhes deste incidente até ao momento da publicação.
O mesmo casal já tinha sido alvo de um ataque a 11 de abril de 2026, quando um homem disfarçado de estafeta e armado com uma pistola entrou em sua casa, reuniu os pais e os dois filhos numa única divisão e exigiu acesso a uma carteira de criptomoedas. Segundo o Midi Libre, o agressor terá sido orientado por telefone por um cúmplice durante toda a intrusão. O pai imobilizou o assaltante durante o confronto, e um tiro foi disparado na luta sem ferir ninguém. Um suspeito de 25 anos foi detido três dias depois, a 14 de abril, em Marselha, por gendarmes da section de recherches de Montpellier. Ficou em prisão preventiva, de acordo com a Cointelegraph.
Marselha surge duas vezes no caso: o primeiro suspeito foi detido na cidade, e o veículo usado pelo trio no incidente de setembro também tinha sido roubado ali. Os investigadores não estabeleceram qualquer ligação oficial entre os dois ataques contra o casal.
Uma tendência nacional em ascensão
O caso enquadra-se num padrão mais amplo documentado pelo PNACO, o Ministério Público francês especializado no combate ao crime organizado, que já registou 135 casos de sequestro ou rapto ligados a criptomoedas desde 2023, segundo números avançados pela Europe 1. O número subiu de 18 casos em 2024 para 67 em 2025, com mais 47 casos abertos apenas nos primeiros quatro meses de 2026, até ao final de abril.
Os investigadores atribuem parte desta exposição a uma fuga de dados ocorrida em 2020 no fabricante de carteiras físicas Ledger, que expôs dados pessoais de clientes e que tem desde então sido associada a uma série de ataques físicos contra detentores de criptomoedas em França. Os montantes envolvidos nem sempre são elevados: num caso em Taverny, uma família foi mantida em cativeiro por causa de criptomoedas no valor de apenas 100 euros. No total, França regista atualmente cerca de um sequestro ou tentativa de sequestro ligado a criptomoedas a cada dois ou três dias.



