O Bitcoin disparou ao final da manhã desta quinta-feira (3) e voltou a superar a marca dos 80.000 dólares, depois de os investidores reduzirem as apostas de que a Reserva Federal (Fed) vai subir os juros ainda este mês. Por volta das 13h (hora de Brasília), o BTC era negociado a 81.320 dólares, uma subida de 5,6% no dia, depois de ter tocado uma mínima intradiária abaixo dos 77.000 dólares.
O gatilho para a reviravolta veio de declarações do diretor da Fed, Christopher Waller, que indicou preferência por manter os juros estáveis na reunião de setembro, caso os próximos dados confirmem sinais de abrandamento da inflação. A declaração aliviou parte da pressão criada na semana passada pelo tom mais duro do presidente da Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole.
Com isto, os rendimentos das obrigações do Tesouro americano (Treasuries) cederam. A taxa de juro da obrigação americana a 10 anos recuou para perto de 4,75%, depois de ter chegado a 4,82% na véspera, enquanto o rendimento a 2 anos caiu para cerca de 4,33%. Juros mais baixos costumam favorecer ativos de risco e sem rendimento próprio, como ações tecnológicas, ouro e criptomoedas.
A mudança também apareceu nas probabilidades de mercado. Segundo o Financial Times, as hipóteses de uma subida de juros em setembro caíram de 59% para cerca de 50% após a declaração de Waller. Mais cedo, plataformas de mercado ainda indicavam apostas acima de 60%, mas em queda face ao pico recente.
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Segundo Pedro Fontes, analista de research da Mercado Bitcoin, corretora brasileira de criptoativos, a recuperação dos 80.000 dólares pelo Bitcoin é uma demonstração importante de força após a defesa dos 77.000 dólares. «Agora, o ponto será observar se o ativo consegue sustentar essa região e renovar as máximas recentes acima dos 81.000 dólares», avalia.
«Pela magnitude do movimento, também aumenta a possibilidade de vermos novas entradas líquidas nos ETFs à vista de Bitcoin no fecho do dia. Caso isso se confirme, daria continuidade à retoma observada a 2 de setembro, quando os produtos receberam mais de 100 milhões de dólares, reforçando que o movimento está a ser acompanhado por procura real e não apenas pela liquidação de posições curtas», explica Fontes.
Dólar mais fraco ajuda o Bitcoin
Outro fator importante para a subida foi o enfraquecimento do dólar. O índice DXY caiu abaixo dos 99 pontos, aliviando a pressão sobre os ativos de risco. Parte deste movimento veio da valorização do iene japonês, impulsionado por apostas de que o Banco do Japão pode subir os juros na sua próxima reunião.
O dólar forte tinha sido um dos principais travões para o Bitcoin nos últimos dias. Quando a moeda americana sobe, os investidores tendem a reduzir a exposição a ativos alternativos. Com o DXY em queda, o BTC encontrou espaço para romper novamente a faixa dos 80.000 dólares.
O movimento ocorreu mesmo com o petróleo ainda em patamar elevado. O WTI mantém-se acima dos 90 dólares por barril, pressionado por tensões entre os Estados Unidos e o Irão. Em tese, um petróleo mais caro aumenta o risco de inflação e reduz a margem para a Fed aliviar a política monetária, mas a declaração de Waller pesou mais nos mercados esta manhã.
A recuperação também surgiu depois de o Bitcoin mostrar resistência na região dos 76.000 dólares. Analistas da Bitfinex apontaram que o custo médio dos investidores ativos na rede está perto dos 76.350 dólares. O BTC chegou a aproximar-se desse nível antes de os compradores entrarem, reforçando a leitura de suporte nessa faixa.
Ações ligadas ao setor cripto também disparam
A subida do Bitcoin arrastou consigo empresas ligadas ao setor cripto em Wall Street. A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, subia quase 12% no dia. A Coinbase avançava mais de 9%, enquanto a Robinhood disparava cerca de 15%.
O movimento contrasta com a fraqueza de parte das ações de semicondutores e memória, que lideraram boa parte do rally das bolsas no primeiro semestre. A rotação sugere que os investidores voltaram a procurar ativos mais sensíveis à liquidez e ao apetite pelo risco, como as criptomoedas e os títulos ligados ao setor.
Entre as altcoins, o dia também é positivo. O XRP liderava entre as maiores criptomoedas, subindo mais de 8%, enquanto BNB e Solana acompanhavam a recuperação, avançando mais de 5% cada uma. O Ethereum, porém, mantinha um desempenho mais fraco, subindo 3%, aproximando-se da região dos 2.500 dólares.
Apesar da subida, o cenário ainda depende dos próximos indicadores dos EUA. O relatório de emprego (payroll) de sexta-feira e o índice de inflação ao consumidor, previsto para 11 de setembro, deverão pesar na decisão da Fed na reunião de 15 e 16 de setembro. Um dado de emprego mais fraco pode reduzir ainda mais as apostas de subida de juros e manter o Bitcoin acima dos 80.000 dólares. Já números fortes podem reacender a pressão sobre as Treasuries, o dólar e os ativos de risco.
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