O Bitcoin negoceia perto dos 78 mil dólares na manhã desta terça-feira (1), num dia de pressão sobre os ativos de risco. O BTC chegou a superar os 79 mil dólares durante a madrugada, mas perdeu força com a subida do petróleo, do dólar e dos juros globais.
Esta manhã, o Bitcoin cai 0,7%, cotado a 78.114 dólares nas últimas 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 67.642 euros, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, sobe 0,3%, para 2.460 dólares. Já o XRP cai 0,4%, enquanto a Solana recua 1,2% e a BNB desce 0,2%.
O movimento surge depois de uma forte recuperação recente. Na semana passada, o Bitcoin passou de menos de 63 mil dólares para uma máxima próxima dos 81.400 dólares, impulsionado por liquidações de posições curtas e uma melhoria no apetite pelo risco. Agora, o mercado atravessa uma fase de consolidação, com o BTC a acumular uma ligeira queda em sete dias.
Ainda assim, a criptomoeda continua a apresentar um desempenho relativamente melhor do que parte do mercado tradicional. Os futuros do Nasdaq 100 recuavam esta manhã, enquanto as bolsas globais eram pressionadas por uma nova onda de vendas em obrigações do Estado. Segundo a Reuters, o rendimento das Treasuries a 10 anos subiu para 4,79%, o nível mais alto desde o início de 2025, em meio à subida do petróleo e à expectativa de juros mais elevados nos Estados Unidos.
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O petróleo voltou ao centro das preocupações. O Brent subiu acima dos 91 dólares por barril, enquanto o WTI negociava perto dos 88 dólares, com os investidores a reagir à escalada das tensões no Médio Oriente. A subida da energia reavivou os temores de inflação precisamente depois do discurso mais duro de Kevin Warsh em Jackson Hole, que reforçou as apostas de que a Reserva Federal possa voltar a subir os juros.
Este conjunto de fatores pesa sobre o Bitcoin porque juros mais elevados tornam as obrigações norte-americanas mais atrativas, reforçam o dólar e reduzem o espaço para os ativos de risco. O índice DXY avançava para perto dos 99,6 pontos, enquanto o ouro também recuava para abaixo dos 4.400 dólares a onça, sinal de uma realização mais ampla em ativos sensíveis ao movimento dos juros.
ETFs voltam a captar
Um ponto positivo para o Bitcoin veio dos ETFs à vista nos Estados Unidos. Depois de uma sequência de nove dias de entradas líquidas, que atraiu cerca de 3,04 mil milhões de dólares e foi interrompida na sexta-feira por uma saída de 202 milhões de dólares, os fundos voltaram a captar na segunda-feira, com 217 milhões de dólares em novas entradas, segundo dados da SoSoValue.
O regresso dos fluxos ajuda a limitar a queda do BTC, mas ainda não foi suficiente para recolocar o preço acima dos 80 mil dólares. O fecho de agosto será também importante para avaliar se a procura institucional resistiu à mudança nas expectativas de juros após Jackson Hole.
Nos derivados, os dados apontam para cautela. O interesse em aberto dos futuros de cripto mantém-se perto dos 136 mil milhões de dólares, enquanto o volume caiu cerca de 7%. A leitura é de que os traders não estão a reforçar apostas claras nem na subida nem na queda, preferindo esperar um sinal mais forte de direção.
No curto prazo, a faixa entre os 77 mil e os 78 mil dólares mantém-se como suporte imediato do Bitcoin. Se o BTC perder esta região, a realização depois do rali da semana passada pode ganhar força. Do outro lado, uma retoma consistente acima dos 80 mil dólares seria o primeiro sinal de que os compradores ainda têm força para testar novamente a máxima recente perto dos 81.400 dólares.
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