O Bitcoin opera na casa dos 76 mil dólares na manhã desta quarta-feira (2), mantendo-se dentro de uma faixa que vai até aos 80 mil dólares que marcou os últimos dias. A criptomoeda perdeu força junto com outros ativos de risco, mas continua a mostrar resistência num cenário de petróleo mais caro, juros globais em alta e dólar mais forte.

Esta manhã, o Bitcoin cai 1,5%, cotado a 76.448 dólares em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava em cerca de 66.439 euros, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 3%, para 2.363 dólares. Já o XRP cai 2,7%, enquanto a Solana recua 3,4% e a BNB cai 0,5%.

O principal foco dos investidores voltou a ser o aperto das condições financeiras. O petróleo WTI superou os 93 dólares por barril e acumula uma forte alta na semana, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irão. A subida do petróleo aumenta o risco de inflação e reduz a margem para o Federal Reserve cortar juros nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, os juros das obrigações do Estado continuam a subir em várias economias avançadas. O rendimento das Treasuries a 10 anos dos EUA aproxima-se de 4,8%, enquanto as obrigações do Reino Unido, Japão, Alemanha e França também registam máximos recentes, num contexto de preocupações com a dívida pública e a inflação persistente. Este movimento costuma pesar sobre os ativos de risco, porque aumenta o retorno das obrigações e encarece o financiamento na economia.

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O ouro, que vinha a funcionar como proteção contra a inflação e a instabilidade, também recuou. O metal caiu para o nível mais baixo em mais de três semanas, pressionado por um dólar mais forte e pelo aumento das apostas em juros mais altos nos EUA. Segundo a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado vê agora cerca de 68% de probabilidade de uma subida de 0,25 pontos percentuais pelo Fed ainda este mês.

Este ambiente tornou-se mais difícil depois do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole. O presidente do Fed reforçou que a inflação continua acima do objetivo e que o banco central ainda tem "trabalho a fazer" caso os preços não avancem de forma clara para a meta. Desde então, os investidores passaram a atribuir maior probabilidade a uma nova subida de juros em setembro.

ETFs registam saídas puxadas pela BlackRock

Além do cenário macro, o Bitcoin enfrentou também uma saída relevante dos ETFs à vista nos Estados Unidos. Os fundos registaram um resgate líquido de cerca de 236 milhões de dólares na segunda-feira, com o IBIT, da BlackRock, a representar aproximadamente 201 milhões de dólares desse total. O FBTC, da Fidelity, teve uma saída de cerca de 44 milhões de dólares, enquanto o BITB, da Bitwise, foi o único fundo com entrada, de cerca de 8 milhões de dólares, segundo dados da SoSoValue citados pela CoinDesk.

O dado chama a atenção porque a narrativa de retoma dos ETFs tinha ganho força após uma sequência recente de entradas. Agora, o mercado passa a observar se a saída foi apenas um ajuste pontual concentrado num fundo ou o início de uma reversão mais ampla da procura institucional.

Nos restantes produtos cripto, o fluxo foi mais positivo. Os ETFs de Ethereum tiveram uma entrada de cerca de 11 milhões de dólares e chegaram ao 12.º dia consecutivo de captação. Os fundos ligados a XRP receberam 14 milhões de dólares, a Solana teve 10 milhões de dólares e a Hyperliquid captou quase 2 milhões de dólares.

Para o curto prazo, o ponto central continua a ser a relação entre Bitcoin, dólar e juros. Historicamente, o BTC tende a sofrer quando o dólar ganha força, porque uma moeda americana mais valorizada reduz o apetite por ativos alternativos. O índice DXY procura ampliar a subida recente e aproxima-se de uma zona técnica importante, o que pode dificultar uma recuperação mais forte do Bitcoin.

Ainda assim, o comportamento do BTC sugere que os vendedores não conseguiram transformar o choque macro numa queda mais profunda. A perda da faixa dos 76 mil dólares poderia abrir espaço para uma correção mais forte após o rali recente. Por outro lado, uma retoma acima dos 78 mil dólares e depois dos 80 mil dólares indicaria que a procura continua forte mesmo com o petróleo, os juros e o dólar a jogarem contra.

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