O Bitcoin voltou a superar os 81 mil dólares na manhã desta sexta-feira (4), depois de os investidores reduzirem as apostas numa nova subida de juros pela Reserva Federal (Fed) ainda em setembro. A criptomoeda chegou a tocar os 81,9 mil dólares na máxima do dia, depois de ter caído para perto dos 77,5 mil dólares na mínima intradiária de ontem.
Esta manhã, o Bitcoin sobe 4,2%, cotado a 81.088 dólares nas últimas 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 69.687 euros, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, sobe 5%, para 2.524 dólares. Já o XRP sobe 6,2%, enquanto a Solana avança 3,5% e a BNB sobe 2,5%.
O movimento foi impulsionado por uma reavaliação no mercado de juros dos Estados Unidos. Depois de as probabilidades de subida de juros terem passado de 63% no início da semana, as apostas voltaram para perto de 50% após declarações do diretor da Fed, Christopher Waller, que indicou apoio à manutenção da taxa caso a inflação continue a dar sinais de alívio.
Com isso, os rendimentos dos Treasuries perderam força. A taxa de juro da obrigação americana a 10 anos voltou a ficar abaixo de 4,8%, aliviando a pressão sobre os ativos de risco. Juros mais baixos costumam favorecer o Bitcoin porque reduzem o apelo das obrigações públicas e aumentam o apetite por ativos sem rendimento próprio, como criptomoedas e ouro.
O alívio surgiu num momento em que o mercado ainda convive com o petróleo acima dos 90 dólares e preocupação fiscal nos EUA. Mohamed El-Erian, economista e presidente do Queens' College, em Cambridge, afirmou à CNBC que não vê apetite imediato para consolidação fiscal nos Estados Unidos, o que pode manter pressão em alta sobre os juros. Para o Bitcoin, porém, este cenário tem dupla leitura: juros mais altos pesam no curto prazo, mas, quando refletem receio fiscal e não crescimento económico, também podem reforçar a procura por ativos escassos fora do sistema fiduciário.
ETF registam maior entrada desde janeiro
Além da inversão nos juros, os ETF de Bitcoin à vista nos Estados Unidos deram um impulso importante ao mercado. Os fundos registaram uma entrada líquida de cerca de 731 milhões de dólares na quinta-feira, o maior volume diário desde janeiro, segundo dados da SoSoValue.
O IBIT, da BlackRock, concentrou a maior parte do fluxo, com aproximadamente 454 milhões de dólares em entradas. O ARKB, da Ark e da 21Shares, recebeu cerca de 138 milhões de dólares, enquanto o FBTC, da Fidelity, atraiu 74 milhões de dólares. O movimento inverteu a saída de 236 milhões de dólares registada na terça-feira, quando o próprio IBIT tinha liderado os resgates.
Os ETF fecharam o dia com 103,34 mil milhões de dólares em ativos líquidos, valor equivalente a pouco mais de 6% do valor de mercado do Bitcoin. Desde o lançamento dos fundos à vista nos EUA, em janeiro de 2024, as entradas líquidas acumuladas chegaram aos 55,44 mil milhões de dólares.
Agora, o mercado observa se a entrada foi apenas uma reação pontual à queda dos juros ou o início de uma nova sequência de compras institucionais. Uma segunda sessão forte, sobretudo se os fluxos ultrapassarem de novo a marca dos 500 milhões de dólares, poderia reforçar a leitura de um regresso mais consistente da procura por ETF.
Relatório de emprego dos EUA pode definir o próximo movimento do BTC
O próximo teste para o Bitcoin acontece ainda nesta sexta-feira, com a divulgação do relatório de emprego dos EUA relativo a agosto. Economistas ouvidos pela AP esperam a criação de 65 mil postos de trabalho no mês, depois da perda inesperada de 23 mil empregos em julho, com a taxa de desemprego a subir de 4,1% para 4,2%.
Um dado mais fraco tende a reduzir ainda mais as apostas numa subida de juros pela Fed, o que poderia sustentar o Bitcoin acima dos 80 mil dólares e abrir caminho para novas tentativas de subida. Já um relatório forte, sobretudo se vier acompanhado de pressão salarial, pode reacender a subida dos juros e do dólar, pressionando de novo o BTC.
O ambiente global também ajudou. As bolsas internacionais avançaram antes da divulgação do relatório, enquanto o dólar estabilizou após ter caído para o nível mais baixo desde maio. O VIX, conhecido como "índice do medo" de Wall Street, recuou para perto dos 14 pontos, indicando menor procura por proteção no mercado de opções.
Apesar da subida, o Bitcoin ainda precisa de confirmar força acima dos 81 mil dólares. A recuperação dos ETF, a queda das apostas de subida de juros e um relatório de emprego benigno podem manter o BTC em busca de novos máximos recentes. Mas uma reversão no dólar ou nas obrigações do Tesouro americano ainda pode transformar a recuperação em mais um teste da faixa entre os 76 mil e os 80 mil dólares, que dominou os últimos dias.
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