O Bitcoin opera em alta esta quinta-feira (17), recuperando parte das perdas dos últimos dias mesmo depois de a Reserva Federal (Fed) ter subido os juros dos Estados Unidos pela primeira vez desde 2023. O movimento acompanha uma melhoria do apetite pelo risco nos mercados globais, enquanto o Zcash dispara mais de 20% e lidera com folga os ganhos entre as principais criptomoedas.
Esta manhã, o Bitcoin sobe 1%, cotado a 76.241 dólares em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 66.673 EUR, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, avança 1,5%, para os 2.429 dólares. Já o XRP sobe 1,2%, enquanto a Solana tem uma subida de 3,4% e a BNB avança 2,6%.
A reação relativamente positiva surgiu depois de a Fed ter elevado, na quarta-feira, a taxa básica norte-americana em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira subida desde julho de 2023 e a decisão foi unânime.
Apesar de juros mais altos normalmente reduzirem o apetite por ativos de risco, o movimento já era amplamente esperado. Além disso, as novas projeções da Fed indicaram um aperto adicional limitado: a mediana dos responsáveis apontava para apenas mais uma subida de 0,25 ponto percentual ainda em 2026.
Jeff Ko, analista-chefe da ViaBTC, afirmou ao CoinDesk que a decisão já estava incorporada nos preços e que o mercado interpretou a sinalização da Fed como uma indicação de que, por agora, não haverá um ciclo agressivo de subidas de juros.
O movimento também se refletiu nos mercados tradicionais. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq avançavam esta manhã, enquanto os juros das obrigações do Tesouro norte-americano de curto prazo recuavam depois de terem atingido máximos desde 2024.
Zcash dispara e liquidações chegam aos 345 milhões de dólares
O grande destaque do mercado esta quinta-feira é o Zcash, criptomoeda focada em privacidade. O ZEC chegou a subir cerca de 23%, para a região dos 1.370 dólares, ampliando um rali que já vinha a chamar a atenção nos últimos dias. Esta manhã, os ganhos em 24 horas são de 13,4%, para os 1.334 dólares.
O avanço coincidiu com comentários de Matt Huang, cofundador da gestora Paradigm, que revelou que a empresa detém ZEC e classificou a criptomoeda como um complemento de privacidade ao Bitcoin.
A subida das criptomoedas provocou uma forte onda de liquidação de posições com alavancagem. Cerca de 86,8 mil traders tiveram posições encerradas à força nas últimas 24 horas, somando 345 milhões de dólares, segundo dados da CoinGlass.
A maior parte das perdas ficou com investidores que apostavam na queda do mercado: as posições curtas responderam por aproximadamente 208 milhões de dólares, contra 137 milhões de dólares em posições longas.
O Ether concentrou quase 89 milhões de dólares em liquidações, seguido pelo Bitcoin, com 85 milhões de dólares, e pelo próprio Zcash, com 56 milhões de dólares. A maior liquidação individual envolveu uma posição de cerca de 18 milhões de dólares em Bitcoin na Hyperliquid.
Bitcoin faz reviver comparação com 2022
Apesar da recuperação desta quinta-feira, o regresso da Fed a um ciclo de subida de juros também despertou comparações com um período pouco favorável para o Bitcoin.
Quando o banco central norte-americano começou a subir os juros em março de 2022, o BTC já acumulava, também, uma queda próxima dos 40% em relação ao máximo histórico. O movimento antecedeu um período ainda mais difícil para o mercado cripto, marcado por um forte aperto monetário e por uma série de crises internas no setor.
Hoje, o cenário apresenta algumas semelhanças. O Bitcoin ainda está cerca de 40% abaixo do recorde acima dos 126 mil dólares, alcançado em outubro de 2025, enquanto a Fed volta a apertar a política monetária para combater a inflação.
Há, porém, diferenças relevantes. Desta vez, o mercado chegou à decisão da Fed depois de uma forte desalavancagem, enquanto a procura institucional através dos ETF de Bitcoin continua a fazer parte da estrutura do mercado. Além disso, a própria autoridade monetária sinalizou, até agora, um ciclo menos agressivo do que aquele iniciado em 2022.
O Bitcoin também já tinha sido pressionado esta semana pelo fracasso do Clarity Act no Senado norte-americano. Alex Kuptsikevich, analista-chefe da FxPro, avaliou que o BTC pode ter “reagido negativamente em excesso” à derrota do projeto, deixando menos espaço para novas quedas depois da decisão sobre os juros.
Ainda assim, a trajetória da política monetária continua a ser um dos principais riscos para os próximos meses. O mercado já atribui uma probabilidade relevante a outra subida de juros na reunião de outubro, enquanto a Fed acompanha principalmente a inflação, os preços da energia e as condições do mercado de trabalho.
Para o Bitcoin, a questão agora é saber se a recuperação acima dos 76 mil dólares consegue ganhar força ou se a retoma do aperto monetário nos Estados Unidos voltará a pressionar os ativos de risco nas próximas semanas.
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