O Bitcoin voltou a subir esta quinta-feira (3) e negocia perto dos 77,5 mil dólares, recuperando parte das perdas recentes depois de ter chegado a tocar a região dos 76 mil dólares. A subida ocorre num contexto de alívio parcial do dólar e das taxas de juro dos títulos dos EUA, enquanto os investidores reduzem ligeiramente as apostas numa nova subida de juros pela Reserva Federal ainda este mês.

Esta manhã, o Bitcoin sobe 1%, cotado a 77.538 dólares nas últimas 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 66.370 EUR, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, mantém-se estável nos 2.391 dólares. Já o XRP sobe 2,3%, enquanto a Solana avança 1,1% e a BNB regista uma subida de 2,5%.

A recuperação do BTC acontece depois de uma sequência de pressão causada pelo petróleo acima dos 90 dólares, pelas taxas de juro globais em alta e pelo dólar forte. O WTI mantém-se em níveis elevados devido às tensões entre os Estados Unidos e o Irão, mas os mercados globais tiveram algum alívio esta quinta-feira, com um recuo parcial dos rendimentos dos Treasuries e do índice DXY.

Esse alívio surgiu após dados mais fracos do mercado de trabalho dos EUA. O relatório da ADP mostrou a criação de 38 mil postos de trabalho privados em agosto, abaixo da expectativa dos economistas, sinalizando um abrandamento na contratação. O dado reduziu parte da pressão sobre os juros, mas não eliminou a expectativa de aperto monetário pela Fed.

Os investidores ainda veem cerca de 60% de probabilidade de subida de juros em setembro, depois de as apostas terem chegado a 67% no início desta semana. O número recuou em relação ao pico recente, mas mantém-se bem acima do nível da semana passada, antes do discurso mais duro de Kevin Warsh em Jackson Hole.

Emprego nos EUA transforma-se em teste para o Bitcoin

O próximo grande catalisador para o mercado será o relatório oficial de emprego dos EUA, o payroll, previsto para sexta-feira. O dado pode determinar se a Fed terá margem para manter os juros estáveis ou se continuará pressionada a subir a taxa para conter a inflação.

Para o Bitcoin, um payroll mais fraco tende a ser visto como positivo no curto prazo, porque reduziria as apostas de subida de juros e poderia enfraquecer o dólar. Nesse cenário, a região dos 80 mil dólares voltaria ao radar. Por outro lado, um dado forte pode reavivar a pressão sobre os ativos de risco, especialmente se vier acompanhado de salários ainda elevados.

Analistas da Bitfinex, citados pela CoinDesk, apontaram que o custo médio dos investidores ativos na rede está perto dos 76.350 dólares. O Bitcoin chegou a aproximar-se desse nível antes de surgirem compradores, o que ajuda a explicar a defesa da faixa entre os 76 mil e os 77 mil dólares nos últimos dias.

Apesar da reação, setembro continua a inspirar cautela. Os analistas recordam que o mês costuma ser historicamente negativo para o BTC, com um retorno médio de -2,95% desde 2013. Ainda assim, consideram que uma correção dentro do mês não invalidaria necessariamente a tendência maior de recuperação, caso o Bitcoin consiga preservar os suportes relevantes.

A leitura técnica também continua dividida. O Bitcoin rompeu médias móveis importantes após a subida recente, mas ainda enfrenta resistência perto da máxima de maio, na região dos 82,8 mil dólares. No lado negativo, uma perda da faixa dos 75,6 mil dólares poderia aumentar o risco de uma queda mais profunda.

ETF continuam no radar após novas saídas

Além do cenário macro, os ETF de Bitcoin à vista nos EUA continuam no centro das atenções. Depois de uma saída forte de cerca de 236 milhões de dólares, puxada principalmente pelo IBIT, da BlackRock, os fundos registaram novo resgate, desta vez bem menor, de cerca de 9,3 milhões de dólares, segundo dados da SoSoValue.

O dado mostra que a pressão dos ETF diminuiu, mas ainda não se transformou numa entrada líquida consistente. Para o mercado, a dúvida agora é se os resgates recentes foram apenas ajustes pontuais de grandes gestores ou o início de uma fase mais fraca para a procura institucional de Bitcoin.

Nos restantes produtos cripto, o comportamento mantém-se mais favorável. Os ETF de Ethereum mantiveram uma sequência positiva de entradas, enquanto fundos ligados a XRP, Solana e Hyperliquid também registaram captação.

Outro ponto observado pelos investidores é o comportamento do dólar. O DXY recuou após o dado fraco da ADP, mas continua a negociar perto de uma região importante. Como o Bitcoin costuma ter correlação inversa com a moeda norte-americana, uma nova fase de fortalecimento do dólar poderia limitar a recuperação do BTC.

Por agora, o mercado lê a subida desta quinta-feira como uma tentativa de recuperação, não como confirmação de uma retoma plena do rali. Para melhorar o quadro, o Bitcoin precisa de superar a faixa dos 78 mil dólares e depois procurar novamente os 80 mil dólares. Já uma perda dos 76 mil dólares devolveria a pressão aos vendedores e colocaria em dúvida a resiliência observada nos últimos dias.

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