O Criminal Assets Bureau (CAB) da Irlanda disse a uma comissão de combate ao branqueamento de capitais que organizações criminosas no país estão cada vez mais a alugar cofres privados para guardar chaves privadas e seed phrases de criptomoedas, mantendo-as junto de dinheiro, relógios, malas de marca e passaportes.
Michael Gubbins, diretor do CAB, a agência estatal responsável pela apreensão de bens de origem criminosa, descreveu a prática em declarações relatadas à Anti-Money Laundering Steering Committee. "Pode ser chaves de cripto, dinheiro, relógios ou até passaportes", afirmou, descrevendo os métodos de armazenamento usados pelos grupos criminosos como "ainda bastante rudimentares". Acrescentou que "o tráfico de droga continua a ser um negócio assente em dinheiro", apontando para a dependência contínua da moeda física mesmo com a entrada de ativos digitais na equação.
A revelação surge enquanto o CAB trata da maior apreensão de cripto da sua história, um portefólio estimado em cerca de 360 milhões de euros ligado a Clifton Collins, condenado por produção de canábis. As autoridades confiscaram 6.000 bitcoins pertencentes a Collins em 2019. Este tinha dividido os ativos por doze carteiras separadas e imprimira as chaves privadas em papel, escondendo-as dentro de um estojo de cana de pesca numa casa arrendada em Farnaught, no condado de Galway.
Acesso às carteiras
Os investigadores, em colaboração com a Europol, conseguiram aceder à primeira das doze carteiras em março de 2026. Só essa carteira continha cerca de 500 bitcoins. Até à data, mais de 130 milhões de euros foram realizados do total estimado de 360 milhões de euros do portefólio, segundo o CAB.
O recurso da agência a cofres privados para recolha de provas também já produziu resultados mais modestos, mas concretos. Num dos casos, o CAB apreendeu 230.000 euros em dinheiro guardados num cofre alugado a uma empresa privada. No ano passado, a agência devolveu quase 15 milhões de euros aos cofres do Estado irlandês a partir das suas operações de recuperação de ativos.
Novas regras da UE no horizonte
As conclusões sobre os cofres surgem quando a União Europeia se prepara para apertar os controlos sobre transações em dinheiro. Um novo regulamento europeu de combate ao branqueamento de capitais entrará em vigor a 10 de julho de 2027, proibindo pagamentos em dinheiro acima de 10.000 euros e exigindo verificação de identidade em transações em numerário a partir de 3.000 euros. As regras serão fiscalizadas pela AMLA, a nova autoridade europeia sediada em Frankfurt.
As observações do CAB sugerem que, mesmo enquanto os reguladores tentam fechar os canais em dinheiro, as redes criminosas se estão a adaptar combinando métodos de armazenamento físico com ativos digitais, em vez de abandonar o dinheiro por completo. Separadamente, redes informais de transferência de valor, como o hawala, continuam a ser usadas por alguns grupos, cobrando os operadores normalmente uma comissão de cerca de 6% para mover fundos fora dos circuitos bancários formais.




