Um grupo de programadores da Ethereum elaborou uma proposta para encurtar o tempo que a rede precisa para tratar uma transação como final, reduzindo-o para cerca de um quarto da duração atual. O trabalho é coordenado por Ben Edgington, que lidera a investigação sobre finalização mais rápida para a rede.
A Ethereum produz atualmente um novo bloco a cada 12 segundos, mas a finalização — o ponto em que uma transação é confirmada como irreversível pelo mecanismo de consenso — demora entre 13 e 19 minutos, valor habitualmente citado como cerca de 16 minutos. O rascunho da proposta visa reduzir esse número para cerca de quatro minutos.
A alteração resultaria de uma modificação na forma como os validadores votam, separando a função de selecionar blocos da função de confirmar a finalização. A proposta está ainda em fase de desenvolvimento como rascunho de EIP, sem data definida para ativação, e várias questões permanecem em aberto, incluindo os tempos de votação, as estruturas de penalização e uma análise de segurança completa.
Porque é que o atraso importa
A motivação prática é a eficiência de capital. Os serviços que processam transações na Ethereum precisam muitas vezes de manter fundos em reserva até à finalização ser atingida, uma vez que os blocos podem, em princípio, ainda ser reorganizados antes desse ponto. Quanto mais longa a espera, mais capital fica parado.
Os programadores oferecem uma ilustração concreta: um serviço que processe um milhão de dólares por hora na janela de finalização atual teria cerca de 267 000 dólares imobilizados em reembolsos pendentes em qualquer momento. Se a finalização fosse reduzida para quatro minutos, esse valor cairia para cerca de 67 000 dólares, libertando capital que os prestadores de serviços poderiam, de outro modo, utilizar.
Uma linha de investigação separada
Esta proposta distingue-se de uma investigação anterior que explorava a redução do tempo de confirmação da Ethereum para cerca de 13 segundos, uma abordagem diferente ao mesmo problema subjacente da velocidade de liquidação. A CriptoNoticias noticiou essa linha de trabalho separada em maio.
O rascunho aponta ainda para um benefício a longo prazo que vai além da eficiência de capital: os programadores sugerem que as alterações poderiam facilitar uma futura transição para assinaturas criptográficas resistentes à computação quântica, uma mudança que a rede deverá necessitar em algum momento à medida que a computação quântica avança.
Por agora, a proposta permanece em fase de discussão. Edgington e os restantes programadores envolvidos não definiram um calendário para quando, ou se, as alterações serão apresentadas para adoção formal no protocolo da Ethereum.



