O Bitcoin (BTC) é a criptomoeda que mais aparece nas declarações de património dos candidatos às eleições brasileiras de 2026, segundo um levantamento feito a partir dos dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a autoridade eleitoral do Brasil. O Ethereum (ETH) também se destaca, enquanto XRP, Solana (SOL), Chainlink (LINK), Cardano (ADA) e Dogecoin (DOGE) estão entre os outros ativos que se repetem nas carteiras informadas à justiça eleitoral brasileira.

A análise faz parte de um levantamento mais amplo sobre a presença de criptomoedas no património dos candidatos. Foram identificados 320 registos de bens relacionados com o mercado de ativos digitais em 162 candidaturas, com mais de 166,2 milhões de euros declarados no recorte mais abrangente.

Para identificar as criptomoedas mais presentes, porém, o recorte é mais restrito. Foram consideradas as descrições em que o candidato identifica explicitamente uma moeda, seja pelo nome — como Bitcoin ou Ethereum — ou pelo ticker, como BTC, ETH e SOL.

Ficaram de fora da comparação registos genéricos como "criptomoedas", "ativos digitais" ou simplesmente saldos mantidos em corretoras nos quais não é possível determinar qual moeda está a ser custodiada. Fundos, ETF e outros produtos financeiros ligados ao mercado cripto também não foram considerados como uma declaração direta da criptomoeda.

O resultado mostra uma grande concentração nos principais ativos do mercado, sobretudo em Bitcoin e Ethereum, mas também uma diversidade pouco comum nas posições menores. Além das maiores criptomoedas, a base regista nomes como Litecoin (LTC), Polkadot (DOT), Shiba Inu (SHIB), Polygon (MATIC), Stellar (XLM), Uniswap (UNI) e diversos tokens menos conhecidos.

Os dados são autodeclarados pelos candidatos e não representam necessariamente o valor atual das moedas. O próprio TSE informa que os ficheiros são alimentados pelos sistemas CAND, Candex e DivulgaCand e atualizados quatro vezes por dia, pelo que novos registos ou alterações ainda podem surgir durante o processo eleitoral.

Bitcoin lidera e também concentra os maiores patrimónios

A liderança do Bitcoin não aparece apenas na quantidade de declarações. O BTC também concentra, com larga vantagem, o maior volume financeiro entre as criptomoedas identificadas pelo nome.

O principal responsável é Leonardo Avalanche, candidato a vice-presidente pelo PRTB, que declarou ao TSE 81,63 milhões de euros em Bitcoin. A posição representa praticamente todo o património em criptomoedas identificado no levantamento quando se desconsidera o caso atípico de um candidato que atribuiu 83,1 milhões de euros a um token próprio ainda não lançado.

Mas a presença do Bitcoin vai muito além desse caso milionário.

Kaue Oliveira, candidato a deputado federal pelo Novo em Santa Catarina, declarou possuir 10 BTC, aos quais atribuiu um valor de cerca de 137 mil euros. Dr. Frederico, candidato a deputado federal pelo PL em Minas Gerais, indicou cerca de 64 mil euros em Bitcoin, enquanto Lucas Pocay, candidato a deputado estadual pelo PSD em São Paulo, declarou 1,01632351 BTC, avaliados em cerca de 56,5 mil euros.

Outro exemplo é o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS), candidato à reeleição. Entre os bens enviados ao TSE estão cerca de 40.365 euros em Bitcoin mantidos na Bitybank, além de posições menores em Solana e Dogecoin.

Há ainda candidatos com valores bem menores. A deputada estadual Carla Morando, candidata à reeleição em São Paulo, por exemplo, declarou 4.201,49 euros em Bitcoin, além de Ethereum e outros ativos.

A amplitude dos valores mostra que a liderança do BTC não decorre apenas de uma ou duas grandes fortunas. A criptomoeda aparece tanto em patrimónios de centenas de milhões de euros como em carteiras de poucos milhares de euros.

Ethereum aparece em carteiras mais diversificadas

O Ethereum forma, junto com o Bitcoin, o grupo de ativos mais recorrentes nas descrições entregues à justiça eleitoral. Uma diferença observada no levantamento é que o ETH aparece com frequência como parte de carteiras que também incluem outras criptomoedas, em vez de representar sozinho uma fatia muito grande do património.

É o caso de Mario Certo (PSB-PR), candidato a deputado federal. Declarou cerca de 4.155 euros em Ethereum, além de 1.662 euros em Chainlink e 831 euros em Solana. Somadas, as três posições chegam a 6.648 euros.

Carla Morando também indicou 2.680,25 euros em Ethereum, além dos 4.201,49 euros em Bitcoin e uma pequena posição em Meli Dólar.

Já Fabrício Cardoso (Pode-SP) é um exemplo ainda mais claro dessa diversificação. O candidato a deputado estadual declarou 0,01194146 BTC, avaliados em 661,29 euros, e 0,08388452 ETH, por 330,66 euros. Na mesma carteira aparecem ainda XRP, Polkadot, Cardano e Litecoin, com valores próximos de 166,20 euros em cada ativo.

Este tipo de declaração ajuda a explicar por que motivo o número de registos de cripto é superior ao de candidaturas identificadas no levantamento: uma única pessoa pode indicar várias moedas separadamente ao TSE.

Significa também que uma criptomoeda aparecer muitas vezes não implica necessariamente que concentre um grande volume financeiro. Frequência e património declarado são indicadores diferentes.

XRP, Solana, Chainlink e Cardano também aparecem entre candidatos

Depois de Bitcoin e Ethereum, as declarações ficam bem mais pulverizadas, mas alguns nomes conhecidos do mercado repetem-se.

Entre eles estão XRP, Solana, Chainlink e Cardano, além de Dogecoin. As moedas aparecem tanto em carteiras diversificadas como em algumas posições individuais relevantes.

O maior exemplo é o de Ednailson Leite Rozenha, conhecido como Rozenha (PSD-AM). O candidato a deputado estadual declarou 417.222 euros em XRP, descrito como "Ripple adquirido a custo médio". É uma das maiores posições numa altcoin encontrada no levantamento. Rozenha também declarou uma pequena quantidade de Chainlink.

A Solana surge em diferentes perfis. Mario Certo declarou 831 euros em SOL, enquanto Bibo Nunes indicou 1.184,64 euros em Solana, além de Bitcoin e Dogecoin.

A Chainlink também aparece diretamente nas declarações. Além dos 1.662 euros indicados por Mario Certo, Rozenha registou LINK na sua relação de bens.

Já a Cardano aparece, por exemplo, entre os seis criptoativos diferentes declarados por Fabrício Cardoso. O candidato paulista indicou 93,16603518 ADA, avaliados em 165,36 euros.

A Dogecoin, por sua vez, aparece até com grafias diferentes. Bibo Nunes declarou 84,09 euros em "Dodgecoin", descrição que consta assim nos dados eleitorais e se refere à Dogecoin.

A variedade observada nas declarações acompanha, em parte, os ativos que ganharam maior espaço no mercado brasileiro. Bitcoin, Ethereum, XRP, Solana, Litecoin, Chainlink, Cardano, Dogecoin, Polygon, Stellar e Uniswap, por exemplo, estão entre os ativos para os quais o banco central do Brasil, o Banco Central do Brasil, criou códigos específicos na tabela que será utilizada pelas prestadoras de serviços de ativos virtuais nos seus reportes regulatórios.

Outros tokens declarados

A partir dos principais nomes, a base do TSE transforma-se numa longa lista de ativos. Entre as declarações aparecem Polkadot, Litecoin, Stellar, Shiba Inu, Polygon, Uniswap, Cosmos, Internet Computer, Algorand, Harmony, Enjin, Holo e WiBX, entre outros.

Há também tokens mais recentes ou pouco comuns em carteiras de candidatos, incluindo ativos que dificilmente apareceriam numa busca limitada apenas às maiores criptomoedas do mercado.

Esta variedade é um dos motivos pelos quais o levantamento foi feito também a partir das descrições livres dos bens. O TSE não possui uma categoria patrimonial específica para cada criptomoeda. Em muitos casos, os ativos aparecem classificados simplesmente como "Outros Bens e Direitos" ou "Outras Aplicações e Investimentos", cabendo ao próprio candidato escrever na descrição o que possui.

Fabrício Cardoso, por exemplo, colocou BTC, ETH, XRP, DOT, ADA e LTC em seis linhas diferentes classificadas como "Outros Bens e Direitos". Já Bibo Nunes registou Bitcoin, Solana e Dogecoin como "Outras Aplicações e Investimentos".

A metodologia também exige cautela com as siglas. Tickers muito curtos podem coincidir com abreviaturas de empresas, fundos ou outras palavras presentes nas declarações. Por isso, um registo só foi considerado quando o contexto indicava que se tratava efetivamente de um ativo digital.

Stablecoins também aparecem nas declarações, assim como alguns ativos vinculados a plataformas específicas. No conjunto, os dados mostram que o património cripto dos candidatos brasileiros reproduz parcialmente a estrutura do próprio mercado: o Bitcoin aparece na dianteira, o Ethereum ocupa uma posição de destaque e, depois deles, o dinheiro espalha-se por dezenas de altcoins.

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