O mercado de criptomoedas movimentou o equivalente a cerca de 47,06 mil milhões de euros no Brasil no primeiro semestre de 2026 (283,1 mil milhões de reais), segundo dados atualizados da Receita Federal, o fisco brasileiro, o maior resultado para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica em 2019. O valor considera operações declaradas por corretoras no país, uso de corretoras no estrangeiro e transações sem intermediação de corretoras.

O volume representa uma alta de 21,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando as operações somaram cerca de 38,78 mil milhões de euros (233,3 mil milhões de reais), e um avanço de 49,4% sobre o primeiro semestre de 2024, quando o total foi de cerca de 31,47 mil milhões de euros (189,4 mil milhões de reais). Os dados também mostram que os seis primeiros meses de 2026 equivalem a 55,5% de todo o volume declarado em 2025, que foi de cerca de 84,78 mil milhões de euros (510,1 mil milhões de reais).

O maior mês do semestre foi maio, com cerca de 9,66 mil milhões de euros (58,1 mil milhões de reais) em operações declaradas. Junho veio logo atrás, com cerca de 9,56 mil milhões de euros (57,5 mil milhões de reais). Os dois meses concentraram mais de 40% de todo o volume do semestre, mostrando uma aceleração forte no final do período. Em janeiro, para comparação, o total tinha sido de cerca de 6,80 mil milhões de euros (40,9 mil milhões de reais).

As corretoras brasileiras continuaram a ser o principal canal das operações. Responderam por cerca de 29,52 mil milhões de euros (177,6 mil milhões de reais) no primeiro semestre, ou 62,8% do total. As transações sem uso de corretoras somaram cerca de 10,92 mil milhões de euros (65,7 mil milhões de reais), enquanto as operações com corretoras no estrangeiro chegaram a cerca de 6,60 mil milhões de euros (39,7 mil milhões de reais).

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O crescimento mais forte, porém, veio das operações sem intermediação de corretoras. Este grupo movimentou cerca de 10,92 mil milhões de euros (65,7 mil milhões de reais) no primeiro semestre de 2026, uma alta de cerca de 50% sobre os cerca de 7,27 mil milhões de euros (43,7 mil milhões de reais) do mesmo período de 2025. Nas corretoras brasileiras, o avanço foi de 13%, enquanto as operações com corretoras estrangeiras cresceram 22,3%.

As stablecoins dominam o mercado

O levantamento por criptoativo mostra que o mercado brasileiro está cada vez mais concentrado em stablecoins. Entre as operações de compra e venda dos principais criptoativos listados pela Receita Federal, o USDT, da Tether, liderou com folga, com cerca de 33,16 mil milhões de euros (199,5 mil milhões de reais) negociados no primeiro semestre de 2026. O valor representa 76,5% do volume somado nesta tabela.

Na segunda posição aparece o USDC, da Circle, com cerca de 6,37 mil milhões de euros (38,3 mil milhões de reais) em operações no semestre. Só as duas stablecoins somaram cerca de 39,53 mil milhões de euros (237,8 mil milhões de reais), ou cerca de 91% do volume de compra e venda dos principais criptoativos referidos no relatório. A Receita Federal sublinha que este recorte considera apenas operações de compra e venda dos principais criptoativos existentes no mercado e que os valores estão expressos em reais.

O Bitcoin ficou em terceiro lugar, com cerca de 2,19 mil milhões de euros (13,2 mil milhões de reais) negociados de janeiro a junho. Apesar de continuar a ser o principal criptoativo do mercado em valor de mercado global, o BTC ficou muito atrás das stablecoins no fluxo declarado à Receita Federal. Seguem-se o Ethereum, com cerca de 582 milhões de euros (3,5 mil milhões de reais), o BRZ, com cerca de 349 milhões de euros (2,1 mil milhões de reais), a Solana, com cerca de 241 milhões de euros (1,45 mil milhões de reais), e o XRP, com aproximadamente 152 milhões de euros (915 milhões de reais).

O domínio das stablecoins também é evidente mês a mês. No caso do USDT, o volume saltou de cerca de 4,80 mil milhões de euros (28,9 mil milhões de reais) em janeiro para cerca de 7,48 mil milhões de euros (45 mil milhões de reais) em maio, a maior marca do semestre para o ativo. O USDC também acelerou no período, chegando a cerca de 2,34 mil milhões de euros (14,1 mil milhões de reais) em junho, o maior volume mensal da stablecoin no semestre.

Mais de 4 milhões de contribuintes por mês

Os dados da Receita Federal também mostram que o mercado continua a ter uma base ampla de participantes. Em todos os meses do primeiro semestre de 2026, mais de 4 milhões de números de identificação fiscal individual (CPF, o equivalente brasileiro ao número de contribuinte) apareceram nas declarações. O pico foi em abril, com 5,08 milhões de registos, enquanto o maior número de identificações de empresas (CNPJ) foi registado em maio, com 116,4 mil empresas.

A Receita Federal alerta que os números de contribuintes individuais e coletivos consideram ocorrências únicas em cada mês, sem repetição dentro do período mensal, independentemente da quantidade de transações realizadas por cada contribuinte. Por isso, os dados não devem ser somados como uma base semestral de utilizadores únicos.

O retrato do primeiro semestre reforça duas tendências do mercado brasileiro de criptoativos. A primeira é o crescimento do volume declarado à Receita Federal, que atingiu um novo patamar em 2026. A segunda é a consolidação das stablecoins como principal motor das operações, com USDT e USDC a responder por quase todo o volume de compra e venda dos principais criptoativos listados no relatório.

Na prática, o dado mostra que o mercado cripto brasileiro já não gira apenas em torno de apostas direcionais em Bitcoin, Ethereum ou outras criptomoedas. A maior parte do fluxo declarado está ligada a ativos digitais indexados ao dólar, usados como meio de liquidez, proteção cambial, pagamentos e movimentação entre plataformas.

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