O Bitcoin volta a superar os 86 mil dólares nesta sexta-feira (2), depois de uma sessão mista na quinta, enquanto os investidores aguardam a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, um dado que pode voltar a mexer com as expectativas sobre os juros da Reserva Federal (Fed).

Esta manhã, o Bitcoin sobe 3,4%, cotado a 86.322 dólares nas últimas 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava próxima dos 74.749 euros, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, avança 2,3%, para 2.743 dólares. Já o XRP sobe 3,5%, enquanto a Solana avança 3,4% e a BNB sobe 1,4%.

A recuperação acontece depois de uma semana marcada por forte volatilidade no mercado de obrigações do Tesouro norte-americano. A yield das Treasuries a 10 anos chegou a 5,34% na quinta-feira, o nível mais alto em 24 anos, antes de recuar com o regresso de compradores à renda fixa. Esta manhã, a yield estava próxima de 5,25%, ainda num patamar elevado.

As taxas de juro de longo prazo têm sido uma das principais barreiras a uma recuperação mais consistente do Bitcoin. Yields mais altas das Treasuries aumentam a atratividade das obrigações públicas dos EUA e pressionam os ativos de maior risco, enquanto o dólar também se mantém forte, próximo das máximas dos últimos 17 meses face a um cabaz de moedas.

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Ainda assim, o BTC conseguiu romper esta manhã a faixa entre os 82 mil e os 85 mil dólares que vinha a segurar o preço desde o final de setembro. Na quinta-feira, a criptomoeda ainda tinha recuado para perto dos 83 mil dólares, depois de não conseguir sustentar uma tentativa de subida provocada por dados de inflação mais fracos nos EUA.

Mercado espera desaceleração na criação de emprego

O foco está agora no relatório de emprego de setembro, que será divulgado esta sexta-feira. Economistas consultados pela Reuters esperam a criação de cerca de 90 mil postos de trabalho fora do setor agrícola, abaixo dos 162 mil registados em agosto, enquanto a taxa de desemprego deverá manter-se em 4,1%.

Os salários também serão acompanhados de perto. A projeção aponta para um crescimento de cerca de 3,2% em termos homólogos, um indicador importante porque uma aceleração mais forte poderia voltar a alimentar as preocupações com a inflação e pressionar o Fed a manter uma postura mais dura.

Os dados recentes têm mostrado sinais mistos. Os pedidos semanais de subsídio de desemprego caíram para 197 mil, próximo do mínimo dos últimos 57 anos, enquanto os anúncios de despedimentos recuaram 18% em setembro. Ao mesmo tempo, indicadores anteriores mostraram perda de fôlego nas vagas em aberto e na confiança do consumidor.

Este cenário ajudou a reduzir as apostas numa nova subida de juros já na reunião de outubro. Esta sexta-feira, o mercado atribuía cerca de 76% de probabilidade a que o Fed mantenha a taxa inalterada, contra apenas 29% há uma semana.

O próprio banco central norte-americano voltou recentemente a subir os juros, levando a taxa para a faixa entre 3,75% e 4%, depois de um longo período sem aumentos. A combinação de atividade ainda resiliente, inflação pressionada pela energia e pelos custos de produção, e sinais pontuais de desaceleração mantém o mercado dividido quanto aos próximos passos da autoridade monetária.

Para o Bitcoin, um relatório de emprego mais fraco do que o esperado tende a aliviar a pressão sobre os juros e as Treasuries, enquanto números muito fortes podem reacender as apostas em novos apertos monetários. Por isso, a sustentação do BTC acima dos 86 mil dólares dependerá em boa parte da reação do mercado obrigacionista após a divulgação dos dados.

A melhoria do sentimento também se reflete nas bolsas. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq avançavam esta manhã, ajudados pela queda das yields das Treasuries e do petróleo, enquanto os investidores aguardavam o relatório de emprego.

O Bitcoin começa, assim, outubro em posição melhor do que aquela em que terminou setembro, mas ainda rodeado pelos mesmos fatores que limitaram as subidas recentes: juros elevados, dólar forte e incerteza quanto à trajetória da política monetária norte-americana. O relatório de emprego desta sexta-feira pode determinar se a rutura dos 86 mil dólares terá força para se sustentar ou se o BTC regressará à faixa de consolidação dos últimos dias.

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