O Bitcoin (BTC) regista uma forte queda nesta sexta-feira (30), pressionado pelo ataque informático de cerca de 6,3 mil milhões de dólares sofrido pela Binance, a maior exchange de criptomoedas do mundo. A notícia provocou uma onda de vendas no mercado cripto e levou à liquidação de mais de 1,5 mil milhões de dólares em posições alavancadas nas últimas 24 horas.
A maior criptomoeda do mercado chegou a cair para cerca de 76.460 dólares durante a madrugada, o valor mais baixo em aproximadamente seis semanas, antes de apresentar uma recuperação parcial.
Esta manhã, o Bitcoin regista uma queda de 3%, cotado a 77.409 dólares em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 69.441 euros, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 3,9%, para 2.222 dólares. Já o XRP cai 2,9%, enquanto a Solana recua 3,4% e a BNB regista uma queda de 6,6%.
O mercado mantém-se atento à dimensão do ataque contra a Binance e aos possíveis impactos sobre a liquidez e a confiança dos investidores.
Segundo dados da CoinGlass, aproximadamente 1,53 mil milhões de dólares em posições alavancadas foram liquidados nas últimas 24 horas. Desse total, 1,29 mil milhões de dólares, ou 83,8%, correspondiam a apostas na valorização dos ativos, surpreendidas pela forte queda dos preços.
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O Bitcoin respondeu por cerca de 499 milhões de dólares dessas liquidações, seguido pelo Ethereum, com 358 milhões de dólares. A Solana registou 82,6 milhões de dólares, o XRP teve 38,1 milhões de dólares e o Dogecoin (DOGE), 18,6 milhões de dólares.
A maior parte das perdas ocorreu num intervalo de apenas 12 horas, quando aproximadamente 1,37 mil milhões de dólares em posições foram encerrados de forma compulsória.
Ataque à Binance provoca onda de liquidações
A queda do Bitcoin começou a ganhar força depois de a Binance ter divulgado, na quinta-feira (29), informações sobre um ataque informático que terá comprometido aproximadamente 6,3 mil milhões de dólares em criptomoedas.
O valor representa a estimativa de ativos afetados pelo incidente e está ainda sujeito a investigação e a recuperação de fundos. Se confirmado como roubo, o episódio supera o ataque de 1,5 mil milhões de dólares sofrido pela Bybit em fevereiro de 2025, até então considerado o maior da história do setor.
A Binance informou que aproximadamente 3 mil milhões de dólares em ativos envolvidos no ataque já tinham sido congelados com a colaboração de empresas do setor, incluindo emissoras de stablecoins. A exchange suspendeu também temporariamente depósitos e levantamentos para realizar verificações de segurança e prometeu cobrir as perdas dos clientes.
Uma das hipóteses em investigação é a de que o invasor tenha comprometido o computador de um engenheiro da empresa, obtendo acesso que permitiu realizar levantamentos não autorizados. A origem exata da falha ainda não foi esclarecida.
O episódio aumentou a aversão ao risco no mercado, provocando vendas que foram intensificadas pelo encerramento automático de operações alavancadas.
Quando um investidor utiliza alavancagem, movimenta uma posição maior do que o capital efetivamente depositado como garantia. Se o preço do ativo se move contra a sua aposta, a exchange pode encerrar a operação para evitar prejuízos adicionais.
No caso de posições compradas, chamadas de longs, essas liquidações podem provocar novas vendas, aumentando a pressão sobre os preços e desencadeando outras liquidações.
A Binance concentrou aproximadamente 754,6 milhões de dólares em posições liquidadas, o equivalente a 49,2% do total do mercado. A Hyperliquid surgiu de seguida, com 251,4 milhões de dólares, enquanto a Bybit registou 186,5 milhões de dólares.
A maior liquidação individual identificada pela CoinGlass foi uma posição comprada em Bitcoin de aproximadamente 11 milhões de dólares na Binance.
No entanto, a recuperação parcial do BTC durante a madrugada começou também a atingir investidores que apostavam na continuidade da queda. Nas quatro horas mais recentes do levantamento, 57,3 milhões dos 85 milhões de dólares liquidados correspondiam a posições vendidas, conhecidas como shorts.
Este movimento ocorre porque o encerramento de posições vendidas exige a recompra do ativo, o que pode contribuir para acelerar recuperações de preço.
Standard Chartered vê risco de novas quedas no Bitcoin
Apesar da recuperação parcial do Bitcoin, o Standard Chartered avalia que o mercado de criptomoedas pode continuar pressionado nos próximos dias.
Em comentário divulgado pelo CoinDesk, Geoffrey Kendrick, chefe global de investigação de ativos digitais do banco, afirmou que a reação negativa dos preços ainda pode prolongar-se enquanto persistirem dúvidas sobre o ataque à Binance e sobre a libertação dos fundos congelados.
"Acredito que a reação negativa dos preços ainda tenha algum caminho pela frente. Só depois de os ativos serem desbloqueados e surgirem mais detalhes sobre o ataque encontraremos uma nova base", afirmou Kendrick, em tradução livre.
A avaliação considera que a extensão dos prejuízos e a capacidade da Binance de restabelecer as suas operações serão determinantes para a recuperação da confiança dos investidores.
O analista acredita também que o episódio poderá acelerar uma migração de operações das exchanges centralizadas para plataformas descentralizadas, que permitem negociar criptomoedas diretamente através de contratos inteligentes.
Nesse cenário, Kendrick destacou a Uniswap, afirmando que o ataque à maior exchange centralizada do mundo pode estimular o crescimento da participação das exchanges descentralizadas no volume total de negociação.
Manteve a sua projeção de 100 dólares para o token UNI até 2030 e afirmou que o incidente pode reforçar os argumentos a favor dessa estimativa.
Por agora, porém, os tokens ligados às plataformas descentralizadas foram também atingidos pelas vendas. O UNI registava uma queda superior a 3%, acompanhando o movimento negativo de outros ativos do setor.
O ataque à Binance ocorreu também no mesmo dia em que a plataforma de mercados de previsão Polymarket suspendeu temporariamente negociações internacionais após um incidente de segurança que provocou perdas superiores a 2,6 milhões de dólares em contas de utilizadores.
Para o Bitcoin, os próximos movimentos deverão continuar influenciados pelas atualizações sobre a Binance, nomeadamente pela recuperação dos ativos desviados, pela retoma dos serviços da exchange e pela capacidade do mercado de absorver a recente onda de liquidações.
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