O mercado em baixa do Bitcoin pode ter chegado ao fim, e o atual momento de preços próximos dos US$ 80 mil representa uma oportunidade de acumulação para investidores de longo prazo. É esta a avaliação da Galaxy Digital, empresa de investimento em criptomoedas fundada pelo multimilionário Mike Novogratz, que acredita que o pior momento do ciclo ficou para trás e que o ativo tem condições de voltar ao seu máximo histórico, acima dos US$ 125 mil.
Em relatório, Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy, argumenta que o Bitcoin encontrou o seu fundo em junho, quando chegou a ser negociado abaixo de US$ 58 mil. Desde então, a criptomoeda acumulou uma recuperação de aproximadamente 38%, embora continue cerca de 35% abaixo do recorde registado em outubro de 2025.
"Acreditamos que o mercado em baixa terminou em junho e que o Bitcoin está na fase de acumulação que antecedeu todas as subidas anteriores", afirmou Thorn.
Segundo o analista, a combinação de indicadores técnicos mais favoráveis, redução da pressão vendedora e preocupações com a dívida pública dos Estados Unidos sustenta a perspetiva positiva para os próximos meses.
A Galaxy avalia que o momento atual apresenta características semelhantes às observadas após os períodos de queda de ciclos anteriores, quando investidores de longo prazo voltaram a acumular Bitcoin antes de recuperações mais expressivas.
No entanto, o otimismo da empresa contrasta com o comportamento recente do mercado. Nos últimos dias, o Bitcoin voltou a ter dificuldade em sustentar os US$ 80 mil, pressionado pelas incertezas sobre as taxas de juro americanas e pela cautela dos investidores antes da reunião da Reserva Federal (Fed).
Porque é que a Galaxy acredita que o Bitcoin já passou pelo pior?
Um dos principais argumentos apresentados no relatório é a recuperação de indicadores utilizados para identificar tendências de longo prazo.
O Bitcoin voltou a negociar acima da sua média móvel de 50 semanas, indicador que representa o preço médio da criptomoeda nesse período e costuma ser utilizado por analistas para avaliar a direção do mercado.
Segundo a Galaxy, o BTC tinha permanecido 44 semanas abaixo desse nível, mas conseguiu registar cinco fechamentos semanais consecutivos acima dele até 18 de outubro.
O movimento é interpretado pela empresa como um possível sinal de que a fase mais intensa das vendas ficou para trás.
Outro indicador importante é a média móvel de 200 semanas, acompanhada por investidores para identificar possíveis zonas de suporte de longo prazo. Durante a queda de junho, o Bitcoin chegou a testar essa faixa, mas posteriormente iniciou a sua recuperação.
Além dos gráficos, Thorn destaca mudanças no comportamento dos investidores. De acordo com a Galaxy, a exposição comprada dos gestores de ativos em contratos futuros de Bitcoin negociados na Bolsa Mercantil de Chicago (CME) caiu 57% em relação à semana em que a criptomoeda atingiu o seu máximo histórico, em outubro de 2025.
A redução indica que parte dos investidores que procuravam ganhos de curto prazo diminuiu a sua exposição ao mercado. "O dinheiro especulativo saiu, a base permaneceu e tudo o resto está cotado para a perfeição", afirmou o analista.
A Galaxy também aponta uma desaceleração na movimentação de bitcoins detidos por investidores antigos. Segundo o levantamento, carteiras que não movimentavam os seus ativos há pelo menos cinco anos passaram a transferir, em média, 34 mil BTC por mês em 2026. O volume é inferior aos 47 mil BTC mensais registados em 2025 e aos 67 mil BTC observados em 2024.
Para a empresa, este comportamento sugere uma diminuição da pressão vendedora entre investidores de longo prazo.
Ao mesmo tempo, os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos terão absorvido aproximadamente 87 mil BTC desde o mínimo de junho, demonstrando a permanência de uma procura institucional relevante.
Embora os fundos tenham registado saídas expressivas nas últimas sessões, a Galaxy considera que a procura acumulada ajuda a sustentar a tese de recuperação.
Dívida dos EUA pode favorecer o Bitcoin, mas há riscos
Outro argumento da Galaxy é que o aumento da dívida pública americana reforça o interesse por ativos com oferta limitada, como o Bitcoin.
Segundo o relatório, a dívida federal dos Estados Unidos chegou a US$ 40,44 biliões em 20 de outubro, enquanto o défice fiscal de 2026 foi de aproximadamente US$ 1,99 bilião.
Para Thorn, o crescimento destas obrigações aumenta a possibilidade de políticas económicas que provoquem perda de poder de compra do dólar ao longo do tempo.
Nesse cenário, o Bitcoin poderia beneficiar da sua oferta limitada a 21 milhões de unidades, característica que o diferencia das moedas emitidas pelos bancos centrais.
A Galaxy destaca ainda que o interesse institucional por stablecoins e tokenização continua a avançar, mesmo enquanto o Bitcoin recebe menos atenção dos investidores.
Segundo a empresa, a oferta global de stablecoins cresceu 129% desde o início de 2024, atingindo US$ 304 mil milhões. Na avaliação de Thorn, este movimento mostra que o capital continua a entrar na infraestrutura de ativos digitais, ainda que não esteja a ser direcionado imediatamente para o Bitcoin.
O analista considera que a recuperação da criptomoeda até ao seu máximo histórico, acima dos US$ 125 mil, é um cenário possível. Considerando o preço de aproximadamente US$ 81 mil utilizado no levantamento, isso exigiria uma valorização próxima de 53%.
A Galaxy, no entanto, reconhece que a sua projeção pode não se concretizar. Um dos principais sinais de alerta seria um fechamento semanal do Bitcoin abaixo de US$ 76.540, zona correspondente à média móvel de 50 semanas identificada no relatório. Caso a criptomoeda perca esse patamar e não consiga recuperá-lo no prazo de um mês, a interpretação de que o mercado em baixa terminou ficaria enfraquecida.
O estudo menciona também riscos relacionados com quedas mais amplas dos mercados financeiros, ataques informáticos e futuros avanços da computação quântica.
Além disso, a Galaxy atua no mercado de investimento em criptomoedas e mantém exposição ao Bitcoin, o que deve ser tido em conta ao avaliar as suas projeções.
Por agora, a conclusão da empresa é que a redução da pressão vendedora e a recuperação dos indicadores de longo prazo criaram condições favoráveis para investidores dispostos a manter a criptomoeda por períodos prolongados.
"Acreditamos que o fundo já foi atingido, a pressão vendedora diminuiu, o argumento da desvalorização das moedas fiduciárias ganhou força e a multidão foi embora", resumiu Thorn no relatório.
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