A polícia ucraniana, em colaboração com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), desmantelou uma rede de fraude sediada em Kiev que geria plataformas de investimento falsas concebidas para roubar criptomoedas a vítimas em toda a Europa e além-fronteiras. Entre os afetados encontram-se detentores de criptoativos na Polónia, segundo os investigadores.

Segundo as autoridades, o esquema envolvia pelo menos 46 pessoas a operar a partir da capital ucraniana. O grupo criou plataformas que se apresentavam como oportunidades de investimento legítimas, prometendo às vítimas lucros fictícios para as atrair.

O cerne da fraude assentava num mecanismo enganosamente simples: as vítimas eram persuadidas a assinar aquilo que parecia ser uma transação de teste inofensiva. Esse passo era, na verdade, o momento em que as suas criptomoedas eram retiradas. Uma vez assinada a transação, os fundos eram desviados, ficando fora do controlo das vítimas.

Uma rede espalhada por mais de 20 países

Os investigadores identificaram, até ao momento, 62 vítimas espalhadas por mais de 20 países. A Polónia figura entre as nações onde detentores de criptoativos foram visados, o que insere este caso no padrão mais amplo de fraude cripto transfronteiriça que tem afetado investidores europeus nos últimos anos.

A dimensão da operação, quer pelo número de pessoas alegadamente envolvidas na sua gestão, quer pela dispersão geográfica das vítimas, aponta para um esforço coordenado e não para uma burla isolada. As autoridades ucranianas não divulgaram o valor total de criptomoedas roubadas, mas o envolvimento do SBU a par da polícia sinaliza a seriedade com que o caso está a ser tratado no país.

O que o caso significa para os detentores europeus

Para detentores de criptoativos na Polónia e no resto da Europa, o caso é um lembrete de que as plataformas de investimento fraudulentas continuam a recorrer a táticas de baixo atrito, como pequenas transações de teste, para obter acesso às carteiras das vítimas antes de consumar o roubo completo. O facto de as vítimas estarem espalhadas por mais de 20 países sublinha como estes esquemas raramente se confinam a um único mercado nacional, complicando tanto a deteção como os esforços de recuperação dos fundos.

A polícia ucraniana não indicou se são esperadas novas detenções nem se novas vítimas poderão ainda apresentar-se à medida que a investigação prossegue.