O Bitcoin opera em queda esta terça-feira (8), na casa dos 78 mil dólares, pressionado por uma combinação de petróleo em alta, juros globais mais elevados e cautela antes do próximo dado de inflação dos Estados Unidos. O BTC recuou depois de ter superado os 82 mil dólares na semana passada, quando atingiu o nível mais alto em cerca de três meses.

Esta manhã, o Bitcoin regista uma queda de 0,9%, cotado a 78.653 dólares em 24 horas. Em euros, a maior criptomoeda do mundo estava nos 68.647 euros, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, mantém-se estável nos 2.484 dólares. Já o XRP recua 0,3%, enquanto a Solana cai 1% e a BNB sobe 1,3%.

O principal foco do mercado voltou a ser a política monetária norte-americana. Depois de um relatório de emprego mais forte do que o esperado na sexta-feira, os investidores voltaram a atribuir cerca de 60% de probabilidade a uma subida de 0,25 pontos percentuais pela Reserva Federal na reunião de 16 de setembro. O relatório mostrou a criação de 162 mil postos de trabalho em agosto, acima da expectativa de 55 mil, enquanto a taxa de desemprego se fixou em 4,1%.

Este cenário pressiona ativos sem rendimento próprio, como o Bitcoin e o ouro, porque juros mais altos tornam as obrigações do tesouro mais atrativas e reduzem o apetite pelo risco. O rendimento das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos voltou a superar os 4,8%, enquanto as taxas das obrigações públicas no Reino Unido, França e Alemanha também subiram, em meio a preocupações fiscais e inflacionárias.

Petróleo reacende temor de inflação

O petróleo é outro ponto de pressão. O Brent aproxima-se dos 100 dólares por barril, enquanto o WTI chegou à zona dos 94 a 95 dólares, o nível mais alto desde junho, impulsionado por tensões geopolíticas e riscos de oferta. A subida do petróleo aumenta o receio de uma inflação mais persistente e reduz a margem para a Fed aliviar a política monetária.

A próxima prova para esta leitura chega na sexta-feira, com a divulgação do índice de preços no consumidor dos EUA. O mercado espera uma subida mensal de 0,4% no índice global e de 0,2% no núcleo, que exclui alimentos e energia. Um dado acima do esperado pode reforçar as apostas numa subida de juros e ampliar a pressão sobre o Bitcoin, as bolsas e o ouro.

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A cautela também é visível no mercado de derivados de criptoativos. Segundo dados citados pela CoinDesk, o índice de compra e venda de takers em futuros mantém-se em território negativo, sinalizando maior agressividade dos vendedores em meio ao avanço do petróleo, à subida dos juros e ao aumento das apostas num aperto da Fed. O volume negociado subiu, mas o interesse em aberto ficou praticamente estável, o que indica mais rotação de posições do que entrada forte de novas apostas alavancadas.

Iene forte aumenta alerta sobre carry trade

Além dos EUA, o mercado acompanha a forte valorização do iene. A moeda japonesa atingiu o nível mais alto em cerca de sete meses, perto de 152,89 por dólar, com os investidores a reforçarem as apostas numa subida de juros pelo Banco do Japão. Este movimento reacendeu as preocupações com o desmantelamento do chamado carry trade, estratégia em que os investidores tomam fundos emprestados em moedas de juros baixos, como o iene, para aplicar em ativos de maior retorno.

Quando o iene sobe rapidamente, esta operação pode tornar-se menos atrativa e forçar os investidores a reduzir posições em ativos de risco em todo o mundo. É por isso que a valorização da moeda japonesa tem sido acompanhada de perto por mercados como as ações tecnológicas, os criptoativos e as moedas emergentes.

O ouro também sentiu a pressão e recuou para perto dos 4.390 dólares a onça, enquanto as bolsas globais operaram sem direção clara ou em queda. Nos EUA, os futuros de ações abriram pressionados, com o mercado ainda a digerir o avanço do petróleo e dos juros antes da inflação de sexta-feira.

Para o Bitcoin, o quadro de curto prazo mantém-se dividido. A perda da faixa dos 80 mil dólares mostra que o rali perdeu força após o relatório de emprego, mas o BTC ainda tenta manter-se acima dos 78 mil dólares. Um CPI moderado pode reduzir as apostas numa subida de juros e devolver força ao mercado. Já uma inflação mais quente pode levar o Bitcoin a testar novamente suportes na faixa dos 76 mil a 75 mil dólares.

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